Alecrim celebra 115 anos como o coração comercial de Natal
Referência em variedade, bairro da Zona Leste movimenta mais de 3 milhões de pessoas por mês e mantém vivo o lema de que tudo se encontra em suas ruas.
A máxima de que "se não tem no Google, tem no Alecrim" sintetiza a resiliência do comércio local frente à digitalização do consumo. O bairro, um dos polos econômicos mais dinâmicos de Natal, completou 115 anos nesta sexta-feira, 23/10/2026, consolidando sua importância como um centro onde a oferta de produtos e a proximidade humana superam as barreiras virtuais.
Para quem vive do comércio na região, a data reforça o vínculo afetivo com o espaço urbano. Jani Rocha, que há 25 anos atua como camelô, define o local como seu próprio lar. "Eu cuido daqui porque transformei o Alecrim na minha casa", afirma, destacando como o cotidiano no bairro sustenta famílias e constrói laços de amizade que perduram gerações.
Dados da Associação dos Empresários do Bairro Alecrim (AEBA), divulgados em junho deste ano, apontam a vitalidade da região: são 6.055 empresas ativas, com um crescimento médio de 10% ao ano desde 2022. Estima-se que mais de 100 mil pessoas circulem diariamente pelas ruas do bairro, movimentando uma economia diversa que engloba de grandes bancos a tradicionais camelódromos.
A história da ocupação é explicada pelo historiador Henrique Lucena, que aponta a origem no século 19, motivada pelo fluxo migratório de pessoas que fugiam da seca. O nome do bairro, curiosamente, deriva do Cemitério do Alecrim, um local onde, por tradição, a erva era plantada sobre túmulos em um gesto de apaziguamento espiritual. Na década de 1940, o bairro ganhou novos contornos com a construção da Vila Naval, vinculada à expansão da Marinha do Brasil.
Apesar da força econômica, os comerciantes alertam para a necessidade de investimentos em infraestrutura e gestão pública. Maria Luiza dos Santos, empresária no setor ótico, aponta que a falta de estacionamentos e desafios na segurança e limpeza impactam o movimento. "O Alecrim precisa de mais cuidado e conscientização das autoridades para que o cliente se sinta acolhido", pontua, defendendo uma reorganização urbana que preserve a identidade do bairro.
Além do comércio, o Alecrim guarda símbolos culturais como a Praça Gentil Ferreira, o tradicional Samba de Arruar e o clube que carrega o nome da região, fundado em 15 de agosto de 1915. Entre a memória das casas de taipa de Ronaldo Tavares e as perspectivas de novos empreendedores, o bairro segue como um ecossistema que vai muito além das compras, sendo parte fundamental da identidade de Natal.

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