Ir para o conteúdo
Adailton Gonçalves
Por Adailton Gonçalves
Notícias de Parnamirim e região
Economia

Cortes em benefícios sociais podem reduzir renda do interior do RN em até 18%, revela estudo da FEA-USP

Pesquisa do Made-USP aponta que a falta de reajustes reais em aposentadorias, Bolsa Família e BPC ameaça a subsistência de 2,7 milhões de brasileiros.

Imagem representativa de impacto econômico e social em municípios brasileiros.
Benefícios sociais são fundamentais para movimentar a economia de cidades do interior do Brasil. · Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

A interrupção na valorização dos benefícios sociais e previdenciários pode provocar uma retração severa na economia de municípios do interior do Brasil, impactando diretamente o poder de compra e a sobrevivência de milhões de famílias. A decisão de monitorar esses indicadores foi consolidada em um estudo do Centro de Pesquisa em Macroeconomia das Desigualdades (Made), da Faculdade de Economia, Administração, Contabilidade e Atuária da Universidade de São Paulo (FEA-USP), divulgado oficialmente em 17/10/2026.

O levantamento demonstra que aposentadorias, o Bolsa Família e o Benefício de Prestação Continuada (BPC) funcionam como motores vitais nessas localidades, representando, em muitos casos, metade da renda familiar. Conforme explica a economista Luiza Nassif, co-diretora do Made-USP, esses recursos são injetados diretamente no consumo de itens básicos, o que mantém o comércio local ativo, preserva empregos e garante a arrecadação municipal.

O cenário projetado pelo instituto aponta que, sem reajustes que superem a inflação, a renda agregada do interior pode registrar quedas expressivas. O interior do Rio Grande do Norte, do Amapá e do Piauí são os locais onde a situação é mais crítica, com risco de a renda total despencar entre 17% e 18%.

Além da economia, o custo social é alarmante. Simulações indicam que a estagnação dos valores entre 2022 e 2025 teria empurrado cerca de 2,7 milhões de pessoas para a pobreza em municípios fora das regiões metropolitanas. Desse montante, aproximadamente 2,4 milhões teriam caído na extrema pobreza. Estados como Bahia, São Paulo e Minas Gerais seriam os mais afetados em números absolutos.

Para Luiza Nassif, os dados revelam que a manutenção do poder de compra desses benefícios é a principal ferramenta de proteção social e de sustentabilidade econômica para as cidades que dependem da circulação direta desses valores, evidenciando que a dignidade dessas populações está intrinsecamente ligada à continuidade da valorização real desses pagamentos.

Leia também

Comentários (0)

Seja o primeiro a comentar!

Deixe seu comentário

Seu e-mail não será publicado.

Máx. 2000 caracteres 0 / 2000