Inflação de combustíveis dobra em 2026 mesmo com subsídios do governo
Inflação acumulada de 4,49% em 2026 supera todo o ano anterior. Governo já destinou R$ 40 bilhões em medidas para conter o impacto nos bolsos dos brasileiros.
A inflação dos combustíveis acumulada entre janeiro e setembro de 2026 atingiu 4,49%, patamar quase duas vezes superior aos 2,30% registrados em todo o ano de 2025. O cenário, confirmado por dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), reflete o impacto direto da escalada internacional do preço do petróleo, impulsionada pelos conflitos no Oriente Médio e na Ucrânia, que pressionam o custo de vida das famílias brasileiras e o orçamento das empresas de transporte.
Para amortecer a alta e evitar um efeito cascata na economia, o governo federal já direcionou R$ 40 bilhões em subsídios e desonerações tributárias. As medidas, que incluem subvenções diretas e a redução de alíquotas de PIS/Cofins e PIS/Pasep, têm sido fundamentais para evitar que o aumento nas bombas fosse ainda mais severo para o consumidor final.
Cronologia das medidas de controle
Desde o início das tensões globais em 28 de fevereiro de 2026, o Executivo implementou uma série de ações emergenciais:
- Março: Instituição de subvenção de R$ 0,32 por litro de diesel e isenção de PIS/Cofins sobre o combustível.
- Abril: Publicação dos Decretos nº 12.923/2026 e 12.924/2026, com alíquota zero para biodiesel importado.
- Julho: Concessão de subvenção de R$ 0,44 por litro para a gasolina via Medida Provisória.
- Setembro: Assinatura da Medida Provisória 1.391/2026, em 9 de setembro, autorizando subsídio adicional de R$ 1 por litro de diesel rodoviário.
Apesar da estratégia, o levantamento da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) aponta que o óleo diesel S10 subiu até 20,85% desde o início das guerras. O Ministério da Fazenda, por sua vez, segue prorrogando auxílios, chegando a um abatimento total de R$ 3,52 por litro para o diesel rodoviário em ações recentes tomadas até outubro de 2026.
Desafios para 2027
O alívio imediato não encerra a preocupação econômica. A Agência Internacional de Energia (IEA) alertou, em relatório divulgado na quarta-feira, 14 de outubro de 2026, que a escassez de diesel deve persistir até o próximo ano. Esse diagnóstico traz um desafio permanente para a próxima gestão, seja ela composta pelo atual presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, ou pelo candidato Flávio Bolsonaro.
A volatilidade no mercado internacional de petróleo, exacerbada pelas restrições na navegação pelo Estreito de Ormuz e pelos ataques a refinarias russas, mantém o preço do barril tipo brent em patamares elevados — na última sexta-feira, 16 de outubro de 2026, o valor era negociado a US$ 105,90. O cenário reforça a dependência brasileira das cotações externas e a complexidade de manter o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) sob controle.

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