Cadu de Lula recebeu R$ 97 mil em verba de transporte que regulamentou em 2025
Candidato ao Governo do Rio Grande do Norte acumulou indenizações enquanto era secretário de Estado da Fazenda. Benefício foi estruturado por portaria assinada pelo próprio político em 2022.
O candidato ao Governo do Rio Grande do Norte Cadu de Lula (PT) recebeu R$ 97.017,92 em verbas indenizatórias de transporte ao longo de 2025. O montante foi apurado durante o período em que ele ocupava o cargo de secretário estadual da Fazenda, sendo que a regulamentação para tais pagamentos foi estabelecida por uma portaria assinada pelo próprio Cadu em junho de 2022, quando chefiava a então Secretaria de Tributação.
Os dados foram extraídos do Portal da Transparência do Governo do Estado nesta sexta-feira, 16/10/2026. Além de sua remuneração regular como gestor público, o ex-secretário obteve uma média mensal de R$ 8.084,83 sob a justificativa de ressarcimento por deslocamentos em veículo particular para atividades de fiscalização, visto que ele é auditor fiscal de carreira.
Estrutura da indenização
A concessão da verba baseia-se na Portaria nº 464/2022 e encontra suporte legal no artigo 66 da Lei Complementar nº 122/1994. Em 2025, o valor de cada indenização, calculado com base no vencimento de R$ 19.405,86 do Caderno de Remuneração dos Servidores Públicos Estaduais, correspondia a aproximadamente R$ 1.001,34. Com base nesta estimativa, os R$ 97 mil recebidos equivalem a cerca de 97 viagens no ano.
A norma estabelece que os valores não são incorporados aos vencimentos e não sofrem incidência de Imposto de Renda ou contribuição previdenciária. O limite oficial é de quatro indenizações mensais por servidor, embora a natureza administrativa da prestação de contas exija análise pormenorizada de cada processo para atestar a efetiva realização dos deslocamentos.
Cúpula da Sefaz também foi contemplada
Outros nomes ligados à cúpula da Sefaz também registraram recebimentos significativos da mesma rubrica em 2025, conforme reportagem de O Correio de Hoje. A então secretária executiva da Receita, Jane Carmem Carneiro e Araújo, totalizou R$ 150.958,83. Álvaro Luiz Bezerra, secretário executivo do Tesouro, somou R$ 95.127,30, enquanto a chefe de gabinete Cristiana Lima de Carvalho recebeu R$ 84.112,56. Somados, os quatro integrantes da gestão acumularam R$ 427.216,61.
Ao longo da gestão de Cadu, a norma passou por ampliações, incluindo a possibilidade de uso de relatórios de atividades gerenciais como controle e a inclusão de substitutos de gestores entre os beneficiários. Servidores do Fisco apontam questionamentos éticos sobre a comprovação das atividades, a necessidade da verba frente ao uso de veículos oficiais e a viabilidade de substituição de visitas presenciais por meios digitais. A regularidade dos valores depende, contudo, da auditoria administrativa dos documentos de cada concessão.

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