Campanha de Lula pede ao TSE cassação da chapa de Flávio Bolsonaro
Ação aponta abuso de poder econômico e suposta interferência de plataformas digitais. Coligação busca medidas imediatas antes do pleito de 25 de outubro.
A coligação Brasil Pronto pra Mais, que apoia a candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), protocolou nesta quinta-feira, 22/10/2026, uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O objetivo da peça jurídica é a cassação da chapa composta pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e pelo deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL), sob a acusação de abuso de poder econômico e uso indevido dos meios de comunicação.
O pedido, formalizado na noite de 21 de outubro de 2026, busca também a declaração de inelegibilidade por oito anos de Flávio Bolsonaro, Pablo Marçal e Tallis Gomes. A argumentação central gira em torno de possíveis irregularidades que, segundo a campanha petista, teriam desequilibrado a disputa eleitoral através do uso de inteligência artificial e estratégias de impulsionamento em redes sociais que favoreceriam a chapa do PL.
A petição aponta que algoritmos de recomendação e ferramentas de moderação da Meta e do X teriam privilegiado conteúdos favoráveis a Flávio Bolsonaro, ao mesmo tempo em que restringiram o alcance de materiais da campanha de Luiz Inácio Lula da Silva. Embora ambas as empresas de tecnologia sejam citadas como terceiras interessadas, o pedido de cassação é direcionado estritamente aos candidatos e seus aliados.
Entre as evidências apresentadas pela coligação, destaca-se um relatório do NetLab, da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), que mapeou 1.613 anúncios eleitorais pagos com recursos estrangeiros, totalizando cerca de R$ 2 milhões. Além disso, a ação questiona o pagamento de R$ 600 mil pela campanha do PL à empresa Elytron, citada em reportagem do site Intercept Brasil por supostamente ofertar sistemas de manipulação eleitoral via inteligência artificial.
A ação foi distribuída para a relatoria do corregedor-geral eleitoral, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva. A coligação solicita uma série de medidas cautelares com urgência, incluindo a proibição de tratamento desigual pelas plataformas digitais até o encerramento do 2º turno, marcado para o domingo, 25 de outubro de 2026. Por tratar-se de uma investigação judicial eleitoral, a decisão final dependerá do rito processual do tribunal, não sendo imediata.

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