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Adailton Gonçalves
Por Adailton Gonçalves
Notícias de Parnamirim e região
Política

Flávio evita explicar apoio a projeto que fragiliza rastreio de munições

Candidato à Presidência foi questionado sobre proposta que elimina identificação de cartuchos. Medida dificultaria investigação de crimes como o de Marielle Franco.

Flávio Bolsonaro gesticulando em estúdio de televisão.
O candidato Flávio Bolsonaro durante sabatina na TV Globo. · Foto: Reprodução /TV Globo)

A resistência em justificar o apoio a uma proposta legislativa que retira a obrigatoriedade de marcação de munições marcou a sabatina do candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ), realizada pela TV Globo na noite de sexta-feira, 16 de outubro de 2026. Ao ser questionado sobre como a alteração impactaria o combate ao crime organizado, o parlamentar minimizou a importância da identificação dos cartuchos, classificando-a como um "detalhezinho". O debate ganha contornos de urgência social, uma vez que a exigência de identificação é um pilar fundamental para desarticular facções. A rastreabilidade permite que autoridades identifiquem a origem de projéteis encontrados em cenas de crimes, como ocorreu na execução da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, em 14 de março de 2018. Na ocasião, a marcação no lote UZZ18, fabricado pela Companhia Brasileira de Cartuchos (CBC) e adquirido pela Polícia Federal em dezembro de 2006, foi crucial para abrir caminhos na investigação. O secretário nacional de Segurança Pública do Ministério da Justiça, Chico Lucas, manifestou publicamente o risco da medida. Segundo ele, a supressão do rastreamento facilita o desvio de material bélico destinado ao Estado diretamente para o crime organizado, dificultando a responsabilização de quem desvia ou utiliza tais insumos. Durante a sabatina, a jornalista Renata Lo Prete insistiu em uma resposta técnica sobre a viabilidade da proposta, diante dos alertas de órgãos como o Ministério Público Federal (MPF). Em vez de detalhar os impactos na segurança, Flávio optou por deslocar o tema para investimentos genéricos em inteligência e endurecimento penal. O projeto em questão, identificado como PL 3.723/2019, tramita no Congresso desde que foi apresentado, ainda durante o governo Jair Bolsonaro. A emenda que retira a marcação das munições, incluída pelo então deputado Alexandre Leite (DEM-SP), altera o Estatuto do Desarmamento. A proposta ainda depende de votação definitiva no Senado para avançar, mantendo em suspense o futuro dos protocolos de controle balístico no Brasil.

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