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Adailton Gonçalves
Por Adailton Gonçalves
Notícias de Parnamirim e região
Política

MPRN recupera R$ 1,4 milhão de investigados na Operação Conto da Sorte

Acordo de não persecução penal encerra parte da investigação contra esquema de apostas ilegais que utilizava domínios governamentais para atrair usuários.

Imagem representativa da operação policial e do Ministério Público.
Operação Conto da Sorte desarticulou esquema de lavagem de dinheiro e apostas ilegais. · Foto: Divulgação/ MPRN

O Ministério Público do Rio Grande do Norte (MPRN) assegurou a recuperação de R$ 1,4 milhão aos cofres públicos após a homologação de um acordo com três investigados na Operação Conto da Sorte. A decisão, formalizada nesta quinta-feira, 15/10/2026, pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), visa reparar prejuízos causados pela exploração ilegal de jogos e a ocultação de ativos financeiros.

A medida, que resolve parcialmente a situação jurídica dos envolvidos, representa um passo importante na proteção da integridade do sistema financeiro e da confiança digital, visto que o esquema utilizava indevidamente órgãos públicos. Os três investigados confessaram as práticas ilícitas, enquanto o procedimento segue em curso contra os demais membros da organização criminosa.

Conforme os termos estabelecidos, R$ 200 mil serão destinados à Receita Federal e ao Ministério da Fazenda, mediante parcelamento. O montante remanescente de R$ 1,2 milhão, referente ao lucro presumido da atividade ilícita, foi revertido integralmente ao tesouro estadual. O acordo possui caráter vinculativo e exige que as empresas envolvidas implementem um rigoroso programa de conformidade no prazo improrrogável de 180 dias.

Estratégia de fraude e danos à sociedade

A Operação Conto da Sorte, deflagrada em Pernambuco, São Paulo e Ceará, desarticulou uma rede que explorava apostas de quota fixa e jogos de azar. A investigação revelou que o grupo adulterava domínios oficiais com extensões “.gov.br” e “.edu.br” para direcionar cidadãos a plataformas ilegais, conferindo uma falsa aura de legitimidade ao golpe.

Para ocultar os verdadeiros beneficiários, a rede utilizava empresas de fachada cadastradas no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) em nome de terceiros, como beneficiários de programas sociais. No Rio Grande do Norte, o esquema utilizava a estrutura da Lotseridó, ligada à Prefeitura de Bodó, para dissimular a origem dos valores. A Receita Federal e a Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA), do Ministério da Fazenda, colaboraram com a força-tarefa para mapear as atividades que persistiam mesmo após a baixa formal dos registros empresariais.

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