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Adailton Gonçalves
Por Adailton Gonçalves
Notícias de Parnamirim e região
Cidades

Brasil enfrenta epidemia de acidentes com motos que sobrecarrega o sistema de saúde

Dados apontam alta de 65% nas internações em seis anos; custo aos cofres públicos supera R$ 281 milhões anuais.

Equipe do Corpo de Bombeiros realizando o atendimento a uma vítima de acidente de moto em via pública.
Bombeiros realizam resgate de motociclista — Foto: Jornal Naciona

O aumento exponencial do uso de motocicletas para fins laborais e de transporte no Brasil tornou os acidentes de trânsito um desafio crítico de saúde pública, pressionando a capacidade de atendimento em hospitais e unidades de emergência de todo o país. A gravidade da situação, que especialistas classificam como uma epidemia, foi ratificada nesta segunda-feira, 12/10/2026, com a análise de dados que confirmam o impacto social e econômico direto dessa realidade.

No Brasil, as internações por acidentes envolvendo motociclistas saltaram de 107 mil para quase 178 mil em 2025, um incremento de 65,3%. Esse cenário sobrecarrega os serviços de socorro, como o Corpo de Bombeiros do Estado do Rio de Janeiro, que atende, em média, mais de 150 ocorrências diárias. O tenente-coronel Fábio Contreiras, do Corpo de Bombeiros, destaca que as motos representam 75% dos atendimentos de trânsito da instituição.

O custo para o sistema de saúde pública também apresenta uma trajetória de alta acentuada. Em 2025, o gasto com pacientes vítimas desses acidentes atingiu R$ 281 milhões, um aumento de 81,9% em seis anos. Apenas nos cinco primeiros meses deste ano, o país já registrou mais de 72 mil internações, com um custo acumulado de R$ 120 milhões.

A preocupação se estende à segurança pública, com o tema figurando no Atlas da Violência. Erivelton Pires Guedes, pesquisador do Ipea, ressalta que o número de mortes no trânsito brasileiro equipara-se aos índices de homicídios, sendo que as motos respondem por 40% dessas perdas humanas. Entre 2023 e 2025, 19.491 pessoas perderam a vida em acidentes com motocicletas no país.

Especialistas como Clarisse Cunha Linke, do Instituto de Políticas de Transporte e Desenvolvimento, apontam que a solução perpassa a redução de velocidades nas vias e a regulação de aplicativos de entrega. Além disso, o Ipea e a Senatran alertam que a ausência de habilitação entre cerca de metade dos proprietários de motocicletas é um fator agravante que demanda medidas urgentes de fiscalização e educação viária.

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