Licitação do transporte público de Natal atrai cinco empresas e dois consórcios
Processo licitatório prevê investimento de bilhões e modernização da frota. Usuários, que aguardam melhorias há duas décadas, relatam rotina de lotação e espera.
A Prefeitura do Natal deu um passo decisivo para transformar a mobilidade urbana na capital potiguar, com a confirmação de que cinco empresas e dois consórcios manifestaram interesse na licitação do sistema de transporte coletivo. A medida, fundamental para encerrar um ciclo de duas décadas de instabilidade e tentativas frustradas de concessão, foi consolidada nesta sexta-feira, 06/11/2026, com o avanço da análise das propostas, cujo resultado final está previsto para ocorrer até o fim de 2026.
A importância desta concorrência reside diretamente na dignidade da população natalense, que hoje depende de uma frota com idade média superior a 10 anos e enfrenta tempos de espera que superam 30 minutos em paradas precárias. Para cerca de 180 mil passageiros que utilizam o serviço diariamente, a licitação representa a esperança de um sistema mais humano, confiável e eficiente.
De acordo com a Secretaria de Mobilidade Urbana de Natal (STTU), o projeto atual prevê a concessão por 15 anos, dividida em dois lotes. Com um aporte bilionário estimado em R$ 3,84 bilhões para a operação e investimentos em infraestrutura que somam R$ 604,1 milhões, a meta é elevar a oferta de viagens diárias de 1,8 mil para 3,1 mil, reduzindo o intervalo médio de espera para 12 minutos.
A titular da STTU, Jódia Melo, reforça que o diferencial desta modelagem é a previsão de subsídio municipal de R$ 73 milhões anuais, já contemplados na LOA de 2026. “O objetivo é a plena mobilidade, com a integração de terminais que conectam a saúde, o lazer e o comércio, como o projeto submetido ao Governo Federal via PAC”, pontua a secretária.
Apesar do otimismo da gestão municipal, especialistas como o professor Rubens Ramos, da UFRN, alertam para a necessidade de rigor na modelagem para garantir a sustentabilidade financeira, especialmente diante de custos variáveis como combustível e a transição tecnológica da frota. O Sindicato das Empresas de Transportes Urbanos de Passageiros do Município de Natal (SETURN) informou que não se manifestará sobre o processo licitatório em curso.
Enquanto o futuro do sistema é desenhado no papel, cidadãos como a dona de casa Lucilene Medeiros de Barros, de 46 anos, ainda enfrentam o desgaste diário. “Espero que, com essa mudança, o transporte finalmente ofereça o respeito e a dignidade que nós, passageiros, merecemos há tanto tempo”, desabafa.

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