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Adailton Gonçalves
Por Adailton Gonçalves
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Ciência & Saúde

Estudo do Einstein Hospital Israelita mapeia riscos de óbito por dengue grave

Pesquisadores identificam indicadores críticos em UTIs no Brasil e defendem aprimoramento na triagem hospitalar para reduzir mortalidade.

Equipe médica em ambiente hospitalar de terapia intensiva.
Pesquisa analisa dados de mais de 40 mil internações por dengue grave no Brasil. · Foto: Joao Paulo Burini/GettyImages

Equipes científicas do Einstein Hospital Israelita identificaram os principais fatores de risco associados ao desfecho fatal da dengue grave em pacientes internados em Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) no Brasil. A decisão técnica de realizar o levantamento, publicado no periódico Journal of Critical Care em 17/10/2026, visou mapear vulnerabilidades clínicas para orientar intervenções mais eficazes no sistema de saúde.

A análise contemplou mais de 40 mil internações registradas entre 2015 e 2024. O estudo, que utilizou dados das UTIs Brasileiras e do DATASUS, revelou que a idade avançada, quadros de fragilidade prévia e o comprometimento circulatório severo são os indicadores de maior risco. A mortalidade hospitalar variou entre 8,2% e 18,6%, dependendo da rede assistencial analisada.

Entre a população idosa com mais de 65 anos, a taxa de letalidade atingiu 30% nas unidades da rede pública. Além disso, a fragilidade clínica e a presença de doenças crônicas ativas — identificadas em 35% dos casos — acentuam a vulnerabilidade desses indivíduos. O comprometimento circulatório revelou-se um ponto de atenção crítico: entre os pacientes que necessitaram de vasopressores para estabilizar a pressão arterial logo nas primeiras 24 horas, a mortalidade chegou a 55,4%.

Embora a pesquisa estabeleça correlações estatísticas entre a gravidade clínica e o óbito, os especialistas ressaltam que a necessidade de suporte intensivo é um reflexo do estado crítico do paciente. A recomendação central do grupo é que hospitais aprimorem os fluxos de triagem, priorizando a estabilização hemodinâmica imediata de pacientes vulneráveis para evitar a falência orgânica.

O trabalho foi conduzido por uma colaboração multidisciplinar que envolveu o Einstein Hospital Israelita, o Instituto D'Or de Pesquisa e Ensino (IDOR), a Epimed Solutions, a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a Universidad Autónoma de Chile e a Universidade NOVA de Lisboa, em Portugal.

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