Sífilis congênita registra aumento de 29,2% no RN na última década
Boletim Epidemiológico Sífilis 2026 aponta mais de 5,5 mil casos acumulados. Falhas no pré-natal seguem como principal barreira para erradicação.
O Rio Grande do Norte enfrenta um cenário preocupante de saúde pública com a escalada da sífilis congênita, que apresentou um incremento de 29,2% nos casos diagnosticados entre 2015 e 2025. Conforme os dados consolidados no Boletim Epidemiológico Sífilis 2026, o estado contabiliza mais de 5,5 mil ocorrências no período, um reflexo direto de lacunas na assistência básica durante a gestação, revelado em 21/10/2026.
A doença, que ocorre quando a bactéria atravessa a placenta, impõe desafios severos ao desenvolvimento fetal. A infectologista Gisele Borba, vinculada ao Hospital Universitário Onofre Lopes (Huol), enfatiza que a ausência de sintomas visíveis ao nascimento não descarta a infecção. A detecção tardia ou a falha na adesão ao tratamento durante o pré-natal podem resultar em abortos espontâneos, óbitos fetais ou sequelas neurológicas e sensoriais permanentes para a criança.
O Sistema Único de Saúde (SUS) disponibiliza a penicilina benzatina como tratamento de primeira linha para gestantes, estratégia capaz de interromper a transmissão vertical. Contudo, a efetividade da rede depende do diagnóstico precoce e do tratamento simultâneo das parcerias sexuais, prática ainda insuficiente em diversos municípios potiguares.
Em 2025, o mapeamento epidemiológico destacou concentrações elevadas de detecção em localidades como Jundiá, Lagoa de Pedras, Passagem, Afonso Bezerra, Macau, Pedro Avelino, Equador, Bom Jesus, Japi, Jaçanã, Santa Maria e Doutor Severiano. Em todas essas regiões, a orientação técnica é reforçar a busca ativa de gestantes para a testagem regular.
A evolução da doença em adultos segue estágios que podem mascarar a gravidade do quadro. Se não tratada, a sífilis progride de feridas indolores na fase primária para manchas corporais na secundária, podendo atingir órgãos vitais, como o coração e o sistema nervoso, anos após o contágio inicial. A recomendação médica é o uso constante de preservativos e a realização imediata de testes rápidos ao menor sinal de exposição.

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