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Adailton Gonçalves
Por Adailton Gonçalves
Notícias de Parnamirim e região
Cultura

Unesco inclui três sítios históricos do Brasil em rede de memória da escravidão

Cais do Valongo, Serra da Barriga e Sociedade Protetora dos Desvalidos são reconhecidos internacionalmente por sua importância na história afro-brasileira.

Vista do sítio arqueológico Cais do Valongo no Rio de Janeiro.
Cais do Valongo, no Rio de Janeiro, foi o maior porto da diáspora africana, recebendo 1 milhão de pessoas escravizadas - (crédito: Fernando Frazão/Agência Brasil)

A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) integrou três locais fundamentais para a história da população negra no Brasil à Rede de Lugares de História e Memória relacionados à Escravidão e ao Tráfico de Pessoas Escravizadas. A decisão, anunciada na sexta-feira, 30 de outubro de 2026, visa assegurar a preservação de marcos da resistência ao sistema escravista e promover a educação histórica para as futuras gerações. Os novos integrantes da rede são o Cais do Valongo, no Rio de Janeiro; a Sociedade Protetora dos Desvalidos, em Salvador; e a Serra da Barriga, em União dos Palmares. A escolha destes pontos de memória é estratégica: enquanto o Cais do Valongo escancara a tragédia do tráfico transatlântico, a Serra da Barriga e a Sociedade Protetora dos Desvalidos ressaltam, respectivamente, o protagonismo na resistência quilombola e a organização social e política da população negra no século 19. Marlova Jovchelovitch Noleto, diretora e representante da Unesco no Brasil, enfatizou que o reconhecimento internacional vai além da proteção do passado. "A iniciativa busca honrar a trajetória da população negra, transformando esses locais em espaços vivos de conhecimento, diálogo intercultural e promoção dos direitos humanos", afirmou em entrevista ao Correio. Para especialistas, a chancela da Unesco funciona como uma barreira contra o negacionismo histórico. O historiador e arqueólogo André Moura explica que, ao validar a infraestrutura da desumanização ao lado das estratégias de liberdade, a organização internacional reforça a soberania do protagonismo afro-diaspórico, superando leituras que restringem a população negra ao papel de vítima passiva. O governo brasileiro, por meio do Ministério das Relações Exteriores, articulou a inclusão das candidaturas. Para o embaixador Marco Antonio Nakata, do Instituto Guimarães Rosa, o reconhecimento amplia a visibilidade global destes sítios e abre portas para cooperações internacionais que valorizam a memória histórica como pilar indispensável para a justiça social no presente.

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