Ir para o conteúdo
Adailton Gonçalves
Por Adailton Gonçalves
Notícias de Parnamirim e região
Economia

Abrasel critica promulgação da PEC que altera escala de trabalho 6x1

Entidade alerta para risco de inflação no setor de serviços e questiona prazo de 60 dias para adequação antes do Natal.

Fachada do Congresso Nacional em Brasília.
Representantes do setor de serviços apontam desafios logísticos e financeiros com a nova jornada de trabalho. · Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil\

O Congresso Nacional promulgou uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que altera a escala de trabalho no país, reduzindo a jornada semanal de 44 para 40 horas sem redução salarial. A decisão, formalizada na sexta-feira, 16 de outubro de 2026, visa promover o descanso dos trabalhadores, mas enfrenta forte resistência de representantes do setor produtivo que temem um desequilíbrio financeiro severo.

Impactos na economia e no consumo

A Abrasel (Associação Brasileira de Bares e Restaurantes) manifestou profunda preocupação com a medida. Em entrevista ao CNN Agora, Paulo Solmucci, presidente da entidade, classificou a iniciativa como irresponsável e motivada por interesses eleitorais. Segundo ele, o setor de serviços, que já opera com margens estreitas — onde 60% das empresas não apresentam lucro —, terá dificuldade em absorver o aumento estimado de 20% na folha de pagamento.

"Nós vamos chegar 10 dias antes do Natal com aumento generalizado de preço, com o desafio caótico de montar equipes", afirmou Solmucci. A preocupação é que o custo adicional, inevitavelmente, seja repassado ao consumidor final em um momento de endividamento das famílias.

Questionamentos sobre o prazo e a política

O prazo de 60 dias para a transição para o modelo 5x2 foi um dos pontos mais criticados. Para a Abrasel, o período é insuficiente, especialmente ao ser comparado com transições similares na Europa, Estados Unidos, Japão ou China, que ocorreram ao longo de anos. Questionado sobre a postura do legislativo, Solmucci lembrou que, anteriormente, o senador Davi Alcolumbre (União-AP) havia indicado que a matéria não seria pautada.

Além da pressão sobre os custos, a entidade alerta para o impacto na renda dos trabalhadores que dependem de gorjetas e para o possível aumento da informalidade, à medida que profissionais busquem múltiplos empregos para recompor a remuneração. Em resposta, o senador Eduardo Braga (MDB) estaria, segundo Solmucci, em diálogo com o governo para articular ajustes na proposta, reconhecendo a complexidade do cenário que a Abrasel define como uma "tragédia socioeconômica".

Leia também

Comentários (0)

Seja o primeiro a comentar!

Deixe seu comentário

Seu e-mail não será publicado.

Máx. 2000 caracteres 0 / 2000