Natal registra segundo menor índice de endividamento entre capitais do Nordeste
Dados da Peic mostram que, embora a cidade apresente menos famílias endividadas que a média regional, o atraso nas contas ainda preocupa especialistas.
O Instituto Fecomércio do Rio Grande do Norte (IFC) revelou que Natal ocupa a segunda posição entre as capitais do Nordeste com o menor percentual de famílias endividadas, atingindo a marca de 82,8% em setembro de 2026. O levantamento, parte da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), dimensiona o comprometimento financeiro dos lares locais e sinaliza um cenário que impacta diretamente a dignidade e a capacidade de consumo das famílias natalenses.
O indicador apurado em 15 de outubro de 2026 reflete uma redução de 1,8 ponto percentual na comparação com setembro de 2025. Embora a capital potiguar apresente um cenário mais otimista que a média do Nordeste, situada em 83,5%, o índice ainda supera a média nacional, que foi de 81,7%. Em uma análise mensal, houve um crescimento de 1,4 ponto percentual em relação a agosto de 2026, interrompendo um ciclo de quatro meses seguidos de queda segundo os dados da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).
A percepção individual sobre o peso das dívidas revelou que apenas 29,8% das famílias em Natal consideram-se moderadamente ou muito endividadas, um patamar significativamente inferior à média brasileira de 46,8%. O cartão de crédito permanece como o principal instrumento de endividamento, citado por 97,7% dos entrevistados, seguido pelo uso de carnês e crédito consignado, ambos com 13,3% de menções.
Apesar da posição favorável no ranking de endividamento geral, um ponto de atenção surge no que diz respeito à inadimplência. Natal registrou o maior percentual de famílias com contas atrasadas entre as capitais nordestinas e o terceiro maior do Brasil. Em setembro de 2026, o problema atingiu 43,5% dos lares, o equivalente a cerca de 123,1 mil famílias. O índice de atraso, que superou as médias regional (32%) e nacional (29,6%), representa um desafio persistente para o orçamento doméstico.
Marcelo Fernandes de Queiroz, presidente do Sistema Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Rio Grande do Norte (Fecomércio RN), ressalta que os indicadores exigem cautela. Para o gestor, a queda no endividamento anual não oculta as dificuldades reais que as famílias enfrentam para manter seus compromissos financeiros regulares em dia.

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