Carlos Eduardo Xavier enfrenta desafios fiscais e infraestrutura no RN
Governador eleito assume o Estado em 2027 com a missão de equilibrar as contas públicas e destravar investimentos essenciais para o desenvolvimento econômico.
O Rio Grande do Norte inicia um novo ciclo administrativo sob a gestão de Carlos Eduardo Xavier (PT), eleito com 1,07 milhão de votos para o mandato de 2027 a 2030. A decisão, consolidada nas urnas nesta segunda-feira, 26/10/2026, coloca o futuro gestor diante de um cenário complexo: a necessidade de conciliar um ajuste fiscal rigoroso com a urgência de investimentos em infraestrutura para potencializar a economia potiguar, que movimenta anualmente mais de R$ 100 bilhões.
Carlos Eduardo Xavier, conhecido como “Cadu de Lula”, acumulou experiência no setor ao comandar a Secretaria Estadual da Fazenda durante o governo de Fátima Bezerra. Essa trajetória é vista como um ativo, mas o Estado ainda carrega indicadores desafiadores, como a alta dependência de serviços — que representam 72,4% da economia — e uma concentração de riqueza nos eixos de Natal, Mossoró, Parnamirim e São Gonçalo do Amarante.
A situação das finanças públicas é um ponto crítico. Segundo dados do Tesouro Nacional, o comprometimento com a folha de pagamento atingiu 55,73% da Receita Corrente Líquida no segundo quadrimestre de 2025, superando o limite da Lei de Responsabilidade Fiscal. Enquanto isso, o volume destinado a investimentos estagnou em apenas 4% das receitas totais.
Especialistas e entidades como o Corecon-RN apontam que a competitividade do Estado passa obrigatoriamente pela melhoria logística. Ricardo Valério, superintendente do órgão, destaca que o próximo governo deve priorizar a recuperação da malha viária, com atenção especial à duplicação da BR-304, e buscar a integração ferroviária com a Transnordestina. A Pesquisa CNT de Rodovias de 2025 reforça a urgência, estimando uma necessidade de R$ 2,2 bilhões para adequações básicas no Estado.
A dignidade dos cidadãos, refletida na geração de empregos formais, é o objetivo final dessas políticas. Embora a taxa de desocupação tenha caído para 7,6% no primeiro trimestre de 2026, a informalidade persiste como uma barreira. O desafio para a gestão que se inicia em 2027 será transformar o potencial das energias renováveis, fruticultura, petróleo e turismo em cadeias de valor agregado que garantam empregos estáveis para a população potiguar.

Comentários (0)
Deixe seu comentário