Lula avalia diálogo com André Lara Resende sobre revisão da política de juros
Presidente busca alternativas técnicas para reduzir a taxa Selic e remodelar o arranjo fiscal, confrontando teses conservadoras com propostas heterodoxas.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva estuda uma reunião com o economista André Lara Resende para discutir uma mudança estratégica na política macroeconômica brasileira, conforme avaliação realizada no domingo, 01/11/2026, no Palácio do Planalto. O objetivo central deste encontro é buscar alternativas técnicas capazes de forçar um recuo consistente na taxa Selic e remodelar o arranjo fiscal do país, sob a premissa de que a rigidez atual do Banco Central estrangula a atividade produtiva e inibe o crescimento econômico.
A aproximação com André Lara Resende, um dos arquitetos do Plano Real, confere autoridade acadêmica ao governo em um momento de atrito com a cúpula da autoridade monetária. A proposta do economista, detalhada no manifesto "Eu Acuso: uma proposta para eliminar os juros absurdos", defende que o verdadeiro peso sobre o Orçamento não reside nos gastos sociais, mas na remuneração exorbitante paga pelo Tesouro aos detentores de títulos públicos.
O plano de André Lara Resende sugere uma transição acelerada, com a redução da taxa de juros de 13,75% para um patamar entre 3% e 5,5% ao ano dentro de um cronograma de 12 meses. Além disso, a iniciativa propõe a criação do Conselho Fiscal e Monetário Nacional (CFMN), um novo centro de governança que visaria sincronizar as metas orçamentárias com os juros em ciclos de médio prazo. Embora o Banco Central manteria a função prática de operar o mercado aberto, ele passaria a seguir parâmetros estruturais definidos por este colegiado.
A adoção dessas diretrizes, caso concretizada, representaria uma ruptura com o modelo tradicional de aperto monetário. Para a sociedade, o impacto esperado é o alívio na dívida pública, permitindo maior margem para investimentos em infraestrutura, emprego e desenvolvimento tecnológico, sem colocar em risco a estabilidade do poder de compra.

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