Cemitério do Alecrim: 170 anos preservando a identidade e história de Natal
O espaço, tombado em 1º de novembro de 2011, completa 170 anos como um dos pilares históricos da capital potiguar.
O Cemitério do Alecrim consolidou-se como um dos maiores guardiões da identidade potiguar ao completar 170 anos de fundação. A importância do local, que abriga figuras centrais da política e cultura do Brasil, foi oficialmente reconhecida pelo Decreto Municipal nº 9.541 em 1º de novembro de 2011, que o incluiu como Patrimônio Histórico e Cultural de Natal.
Neste sábado, 31/10/2026, enquanto a cidade se prepara para o Dia de Finados, o espaço recebe famílias que buscam resgatar memórias e homenagear entes queridos. A existência da necrópole, segundo o historiador Breno Câmara, foi o motor da expansão espacial de Natal, antecipando o surgimento do próprio bairro Alecrim.
O local funciona como uma crônica da trajetória potiguar, desde a Natal Imperial e Republicana até personalidades como Câmara Cascudo, Café Filho e Pedro Velho de Albuquerque Maranhão. A sepultura mais antiga catalogada pertence ao advogado Manuel Gabriel de Carvalho, datada de 1872.
A origem do Cemitério do Alecrim, inaugurado em 1856, está ligada a uma mudança sanitária profunda. O historiador François Leite Cavalcante explica que a obra foi uma resposta a epidemias, como cólera e varíola, afastando os sepultamentos que, anteriormente, ocorriam no interior da Igreja Matriz de Nossa Senhora da Apresentação e arredores.
Além do valor documental, o sítio apresenta uma arquitetura que reflete a estratificação social de épocas passadas, onde a ostentação em jazigos diferenciava famílias influentes. Breno Câmara ressalta, contudo, a necessidade de maior zelo por parte do poder público: "O que falta é entender que o turismo não se resume a uma orla ou dunas, mas também no contato com a memória do lugar". Enquanto a preservação é debatida, cidadãos como Antônio Alves Sobrinho mantém viva a tradição, cuidando pessoalmente dos túmulos de familiares.

Comentários (0)
Deixe seu comentário