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Adailton Gonçalves
Por Adailton Gonçalves
Notícias de Parnamirim e região
Cidades

Operação Camarote SUS apura fraude milionária em agendamentos de saúde no RN

Esquema criminoso teria manipulado filas do Sistema Único de Saúde ao criar cadastros falsos para direcionar 578 atendimentos a pacientes escolhidos.

Equipes do MPRN e Gaeco em operação contra fraude no sistema de saúde do Rio Grande do Norte.
Equipes do MPRN e do Gaeco cumprem mandados de busca e apreensão durante a Operação Camarote SUS. · Foto: MPRN

O Ministério Público do Rio Grande do Norte (MPRN) deflagrou nesta segunda-feira, 26/10/2026, a Operação Camarote SUS, para desarticular uma organização suspeita de fraudar o sistema de agendamento de consultas e exames públicos. A investigação apura o uso de cadastros falsos e ferramentas de automação para burlar a ordem de espera, prejudicando milhares de cidadãos que aguardam atendimento na rede pública de saúde.

O impacto dessa manobra atinge diretamente a dignidade da população, que depende exclusivamente do Sistema Único de Saúde (SUS) para diagnósticos e tratamentos. Ao furar a fila, o grupo retirava o direito de acesso de pacientes vulneráveis, que permaneciam aguardando por tempo indeterminado enquanto horários eram bloqueados artificialmente.

Conforme os levantamentos do Gaeco, a fraude teve início em 29 de agosto de 2022. Utilizando dados de um paciente legítimo, os suspeitos criaram um usuário com privilégios administrativos capazes de autorizar procedimentos e gerir a disponibilidade de vagas. Relatórios técnicos indicam que, em vez de seguir critérios de prioridade médica, as vagas eram reservadas e posteriormente destinadas a clientes selecionados, possivelmente mediante pagamentos.

A ação, que mobilizou promotores de Justiça e policiais militares, cumpriu mandados de busca em Natal, Extremoz, Santana do Matos e Parnamirim. Foram apreendidos computadores e celulares que serão periciados para rastrear as transações financeiras e identificar outros possíveis envolvidos na rede de corrupção.

As investigações, que seguem em curso sem prazo definido para conclusão, apuram crimes como associação criminosa, inserção de dados falsos, corrupção e desvio de cotas públicas. O material colhido pela equipe técnica do MPRN é fundamental para consolidar as evidências e verificar a extensão do dano causado à rede de saúde.

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