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Adailton Gonçalves
Por Adailton Gonçalves
Notícias de Parnamirim e região
Economia

Setor de VR e VA aponta despreparo técnico para interoperabilidade

Apesar do prazo estabelecido pelo governo, a plena aceitação de cartões em qualquer maquininha enfrenta obstáculos operacionais e incertezas no mercado.

Mão de um cliente pagando conta com cartão de benefício em maquininha de cartão.
Trabalhador utiliza cartão de benefício em estabelecimento comercial. · Foto: Ilustração gerada por IA

A plena implementação da interoperabilidade dos vales-refeição e alimentação, medida central para a modernização do PAT (Programa de Alimentação do Trabalhador), esbarra em um cenário de incertezas técnicas e operacionais neste sábado, 07/11/2026. A decisão, que deveria marcar um novo momento de liberdade para o consumidor, é fruto de um decreto federal publicado em novembro de 2025, desenhado para ampliar a rede de aceitação dos benefícios em todo o Brasil.

O objetivo do decreto é permitir que o trabalhador utilize seus cartões de VR e VA em qualquer estabelecimento, independentemente da operadora. Contudo, empresas do setor relataram ao CNN Money que a infraestrutura necessária para viabilizar essa mudança ainda não está consolidada. Para o beneficiário final, isso significa que a esperada facilidade de pagamento pode não ocorrer de imediato, limitando o impacto prático da norma sobre o orçamento e a rotina diária das famílias.

Any Genovez, diretora jurídica da Swile Brasil, destaca que, embora o mercado tenha tido um ano de prazo para adaptação, a realidade aponta para um estágio de prontidão insuficiente. O ponto central da divergência reside na complexidade técnica: a interoperabilidade exige definições de autorização, liquidação de transações e regras de segurança que ainda não foram totalmente padronizadas.

Arthur Gouvea de Freitas, CEO do iFood Benefícios, ressalta que a interoperabilidade é apenas parte de uma estrutura mais ampla que inclui a abertura dos chamados arranjos fechados — onde a emissora do cartão e a provedora do benefício são a mesma entidade. Segundo dados da pesquisa Ipsos-Ipec do dia 20 de agosto de 2026, as taxas cobradas dos estabelecimentos subiram de 5,19% para 6,18% no último ano, frustrando a expectativa de redução prevista na reforma.

A ABBT (Associação Brasileira das Empresas de Benefícios ao Trabalhador), que reúne marcas como Alelo, Pluxee, Ticket e VR, afirma estar comprometida com o avanço, mas reforça que a transição deve ocorrer de forma gradual. O Ministério do Trabalho e Emprego, sob a gestão de Luiz Marinho, sinalizou que novas medidas poderão ser adotadas para garantir a aplicação integral do decreto, mantendo o impasse sobre quando o consumidor finalmente sentirá o efeito das mudanças no caixa dos restaurantes.

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