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Adailton Gonçalves
Por Adailton Gonçalves
Notícias de Parnamirim e região
Cidades

Assédio político gera denúncias e investigações pelo MPT-RN

Casos de restrição a currículos e ameaças motivadas por convicções ideológicas ganham foco do Ministério Público do Trabalho no Rio Grande do Norte.

Sede do Ministério Público do Trabalho.
O MPT-RN monitora denúncias de assédio político no ambiente corporativo. · Foto: Reproducão

O Ministério Público do Trabalho no Rio Grande do Norte (MPT-RN) intensificou a fiscalização contra condutas de assédio eleitoral e político no ambiente corporativo, conforme monitoramento consolidado nesta quinta-feira, 29/10/2026. A atuação do órgão responde a um crescente volume de denúncias que envolvem desde a rejeição de candidatos a vagas de emprego por afinidade ideológica até ameaças diretas de retaliação a profissionais com base em suas convicções pessoais.

Para o procurador-chefe do MPT-RN, Gleydson Gadelha, a linha que separa a liberdade de expressão do abuso de poder é tênue, mas juridicamente clara. “Na época da eleição e logo após, chamamos de assédio eleitoral porque ataca o direito de voto. Nos outros períodos, passa a ser assédio político. O MPT atua da mesma forma, pois a coação por entendimento ideológico é proibida da mesma maneira que a discriminação de gênero ou racial”, explica.

Limites do poder diretivo e dignidade

Entre os episódios sob análise, destaca-se o caso de uma empresária de Macaíba, proprietária da Pitanga Brasil e PB Move, que declarou publicamente a recusa de currículos de apoiadores do Partido dos Trabalhadores (PT). Em outra frente, o empresário responsável pelo Hot Dog do Negão, Victor Cunha, também é investigado por vídeos em que ameaça suspender pagamentos a prestadores de serviço com base em seu posicionamento político.

O impacto dessas práticas afeta diretamente a dignidade do trabalhador, que se vê diante de uma relação desigual de poder econômico. O MPT-RN reforça que o empregador detém o dever de assegurar um ambiente saudável e livre de perseguições, sendo que tais condutas podem sofrer sanções conforme a legislação vigente.

Mobilização social e novos contornos

O debate extrapolou as esferas institucionais e alcançou as redes sociais. O jornalista Anderson Lopez relatou o encerramento abrupto de um contrato de gerenciamento de redes após questionar se a decisão da contratante estaria vinculada às suas opiniões políticas. Paralelamente, a jornalista Juliana Celli lançou uma mobilização no Instagram buscando catalogar empresas que respeitam a diversidade política, incentivando o consumo consciente diante de episódios de discriminação.

O MPT-RN continua apurando os casos relatados para determinar se as infrações exigirão Termos de Ajustamento de Conduta (TACs) ou ações civis públicas, garantindo que o direito ao trabalho não seja condicionado à ideologia do cidadão.

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