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Adailton Gonçalves
Por Adailton Gonçalves
Notícias de Parnamirim e região
Ciência & Saúde

Estudantes do RN criam tecido impermeável para proteger salineiros

Projeto desenvolvido no CEEP Maria Rodrigues Gonçalves utiliza silicone para oferecer proteção a trabalhadores expostos ao sal e riscos biológicos.

Estudantes do CEEP Maria Rodrigues Gonçalves exibem protótipo de tecido impermeável.
Projeto de estudantes do Rio Grande do Norte oferece nova alternativa de proteção para salineiros. · Foto: Cedida Uma visita técnica a uma salina no interior do Rio Grande do Norte le

Dois estudantes da rede pública de ensino do Rio Grande do Norte desenvolveram uma solução inovadora para proteger profissionais expostos diariamente a condições insalubres em salinas. A iniciativa, que foi apresentada ao público nesta quinta-feira, 05/11/2026, surgiu da necessidade de garantir mais dignidade e segurança a trabalhadores que lidam com alta concentração de sal, um desafio comum na região do interior potiguar.

Os responsáveis pela pesquisa, Kauã Pereira Moura e Radja Kassiana Silva, ambos de 19 anos, são alunos do 3º ano do curso técnico de informática do Centro Estadual de Educação Profissional (CEEP) Maria Rodrigues Gonçalves, em Alto do Rodrigues. O projeto nasceu da observação direta dos alunos sobre o impacto da atividade salineira na pele dos trabalhadores, que frequentemente sofriam com feridas causadas pela exposição ao sol e à chamada água de grau.

Ao longo de suas trajetórias no Ensino Médio Integral, os estudantes buscaram alternativas acessíveis e resistentes. Orientados pela professora Jerusa Rodrigues Dantas, o grupo desenvolveu uma técnica de impermeabilização utilizando poliéster e silicone em pasta. O material resultante, além de ser maleável e de baixo custo, demonstrou eficácia superior ao algodão e ao jeans, materiais tradicionalmente utilizados pelos profissionais da área.

A versatilidade do protótipo chamou a atenção para novas aplicações, incluindo o setor de saúde. Em testes laboratoriais, o tecido barrou a passagem de fluidos após contato com sangue artificial, abrindo portas para que a tecnologia seja utilizada como barreira de biossegurança. “Hoje, toda vez que me faço uma pergunta, eu pesquiso e busco entender. Isso me mudou por completo”, destaca Radja sobre a transformação que a experiência científica promoveu em seu projeto de vida.

O impacto do projeto rendeu aos jovens a participação em eventos de relevância nacional, como a Expo Nacional Milset Brasil, a Infomatrix Brasil e a FEBRACE, realizada na USP. Para a coordenadora pedagógica Jerusa Rodrigues Dantas, o sucesso não reside apenas na eficácia do tecido, mas na autonomia conquistada pelos alunos. A decisão de seguir carreiras científicas, tomada após o sucesso do experimento, exemplifica o objetivo da educação profissional de conectar o aprendizado à realidade do território.

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