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Adailton Gonçalves
Por Adailton Gonçalves
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Ciência & Saúde

Número de adultos com obesidade monitorados pelo SUS triplica em 10 anos

Dados do Sisvan apontam que 11,12 milhões de brasileiros já são acompanhados pela rede pública. Especialistas apontam gargalos no acesso ao tratamento multidisciplinar.

Pés sobre uma balança digital, simbolizando o monitoramento de peso e saúde pública no Brasil.
Foto colorida de pé humanos sobre balança que calcula grandes números de gordura no corpo - Metrópoles. · Foto: picture alliance / Getty Images

O volume de atendimentos de adultos com obesidade na Atenção Primária à Saúde mais do que triplicou no Brasil durante a última década. Segundo dados do Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (Sisvan), do Ministério da Saúde, o contingente de pacientes monitorados saltou de 3,09 milhões em 2016 para 11,12 milhões neste domingo, 01/11/2026, representando um crescimento de 259%.

Os registros compilados de janeiro a outubro de 2026 revelam um cenário preocupante: somando-se os casos de sobrepeso, o total de indivíduos com excesso de peso atendidos pelo SUS alcança 21,88 milhões, ou 71,5% da população acompanhada. Embora o Sisvan seja a porta de entrada do sistema público, esses números evidenciam a magnitude do desafio assistencial imposto pela doença crônica à sociedade brasileira.

Desigualdade regional e impacto no cuidado

A disparidade entre o peso adequado e a obesidade é uma realidade em 24 das 27 unidades da Federação. No Rio Grande do Sul, a proporção de adultos com obesidade chega a 42,6%. Em números absolutos, São Paulo lidera o monitoramento com 1,74 milhão de pacientes, seguido por Minas Gerais, Rio de Janeiro e Bahia. Esse avanço na prevalência exige uma reformulação na capacidade de resposta do SUS, indo além do acolhimento básico.

O abismo entre diagnóstico e tratamento

A complexidade do tratamento foi um dos eixos centrais do XVI Congresso Latino-Americano de Obesidade, realizado entre 28 e 31 de outubro de 2026, em Salvador. Durante o evento, o endocrinologista Bruno Halpern, presidente da Federação Mundial da Obesidade e vice-presidente da Abeso, alertou que o reconhecimento da obesidade como doença crônica não tem sido acompanhado de investimentos proporcionais.

“Existe uma distância crítica entre o diagnóstico e a oferta de condições efetivas de tratamento”, afirmou Halpern. O estudo internacional MAPPS II, apresentado pelo médico, aponta que a carência de equipes multidisciplinares — como nutricionistas, psicólogos e fisioterapeutas — e o subfinanciamento governamental obrigam muitos pacientes a arcar com os custos do próprio cuidado, comprometendo a equidade do atendimento.

Investigação profunda no cenário nacional

O Brasil foi selecionado como o único país das Américas para uma etapa de investigação aprofundada dentro do MAPPS II. Em parceria com a Secretaria de Atenção Primária à Saúde, a pesquisa busca mapear barreiras de acesso e deficiências nas políticas públicas vigentes. A expectativa é que um relatório detalhado sobre o panorama brasileiro, bem como os resultados globais do estudo, sejam revelados em 4 de março de 2027, Dia Mundial da Obesidade.

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