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Adailton Gonçalves
Por Adailton Gonçalves
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Cultura

Experiência de alfabetização de Paulo Freire torna-se Patrimônio Cultural Imaterial do Rio Grande do Norte

O Governo do Rio Grande do Norte oficializou o reconhecimento do método desenvolvido em Angicos como bem cultural. A medida preserva o legado de emancipação pedagógica.

Documentos e registros históricos sobre as 40 Horas de Angicos.
O reconhecimento protege o legado pedagógico que transformou a alfabetização no Brasil a partir de Angicos. · Foto: BNews RN - Divulgação

O método de alfabetização idealizado pelo educador Paulo Freire foi oficialmente declarado Patrimônio Cultural Imaterial do Rio Grande do Norte. A decisão, consolidada em 28 de outubro de 2026, visa assegurar a salvaguarda de uma das iniciativas educacionais mais influentes da história brasileira, cujas raízes estão profundamente ligadas à identidade potiguar.

A oficialização, publicada no Diário Oficial do Estado, tem como alicerce um projeto legislativo de autoria do deputado estadual Ezequiel Ferreira. Ao elevar a iniciativa à categoria de patrimônio, o Governo do Estado busca proteger as memórias, relatos orais e saberes pedagógicos que permitiram, décadas atrás, a transformação social por meio do letramento crítico.

Para a governadora Fátima Bezerra, o ato transcende o simbolismo acadêmico. "As 40 Horas de Angicos são um capítulo fundamental da história do Rio Grande do Norte e da educação brasileira. Ao reconhecer essa experiência como Patrimônio Cultural Imaterial do nosso estado, reafirmamos o compromisso do Governo com a preservação de uma memória que pertence ao povo potiguar e que tem muito a ensinar às novas gerações", afirmou.

A experiência original, realizada no município de Angicos entre 28 de janeiro de 1963 e 2 de abril de 1963, desafiou os índices de analfabetismo da época ao utilizar o cotidiano dos participantes como base para o aprendizado. A estratégia foi articulada em 1962 pelo então governador Aluízio Alves, com apoio do secretário estadual de Educação, Calazans Fernandes, buscando conectar o ensino à realidade profissional dos trabalhadores.

Embora a iniciativa tenha sido interrompida pelo golpe militar de 1964, culminando no exílio de Paulo Freire, seu impacto permanece vivo. A proteção oficial agora abre caminho para o incentivo a pesquisas e a difusão do legado pedagógico. "Preservar esse legado é reconhecer a importância da educação como direito, instrumento de emancipação humana e fundamento da democracia", concluiu a governadora.

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