Atividade da construção no RN registra queda e interrompe ciclo de alta
Indicador da FIERN aponta recuo para 46,8 pontos em setembro; demanda insuficiente e juros elevados são os principais gargalos enfrentados pelas empresas.
A atividade da construção civil no Rio Grande do Norte sofreu um revés em setembro, interrompendo um ciclo de dois meses de crescimento. O resultado, consolidado em 46,8 pontos, foi divulgado pela Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Norte (FIERN) em 30 de outubro de 2026, refletindo um cenário de cautela para o setor e seus trabalhadores.
Conforme a metodologia da sondagem, pontuações abaixo de 50 indicam retração. Esse movimento de queda impactou diretamente a força de trabalho, com o indicador de emprego recuando para 46,8 pontos, encerrando um período de estabilidade no quadro de funcionários. Em contrapartida, a utilização da capacidade operacional do setor apresentou melhora, subindo de 45% para 51%.
Obstáculos que travam o desenvolvimento
O impacto financeiro e operacional é sentido na ponta final da cadeia produtiva. A falta de demanda interna foi apontada como o principal entrave por 63% das empresas consultadas no terceiro trimestre. A pressão dos juros elevados aparece logo em seguida, citada por 50% dos empresários, seguida por preocupações com carga tributária e a escassez de mão de obra qualificada.
Apesar das dificuldades, houve uma melhora na percepção financeira. A satisfação com o lucro operacional cresceu de 28,2 para 40,6 pontos, sugerindo que, embora a atividade tenha desacelerado, as empresas buscam maior eficiência na gestão de seus recursos.
Projeções para o futuro
O otimismo, ainda que contido, permanece presente nas projeções. Em outubro de 2026, empresários sinalizaram expectativa de crescimento para os próximos seis meses em indicadores como novos empreendimentos e aquisição de insumos, ambos atingindo 59,3 pontos. A intenção de investimento também apresentou avanço, saltando de 33,4 para 46,4 pontos.
O levantamento foi realizado entre 1º e 13 de outubro de 2026, ouvindo oito empresas, e é fruto de uma parceria estratégica entre a FIERN, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) e a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC).

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