Cofaturamento na conta de água surge como solução para o saneamento no Brasil
Estratégia de cobrança integrada pode reduzir inadimplência e custos operacionais, aponta estudo da UNA Partners sobre o desafio do saneamento básico.
Municípios brasileiros enfrentam o desafio de financiar o manejo de resíduos sólidos sem sobrecarregar o orçamento das famílias, uma meta essencial para garantir a dignidade pública e a sustentabilidade ambiental, conforme análise consolidada em 02/11/2026. A necessidade de viabilizar recursos para um serviço básico tem colocado prefeitos diante de um dilema político e financeiro que, se não solucionado, compromete a qualidade da destinação do lixo urbano.
Os dados do Sistema Nacional de Informações em Saneamento Básico (SINISA 2025, ano de referência 2024) revelam a dimensão do gargalo: apenas 49% das cidades pesquisadas cobram pelo serviço. Com uma evasão média de 23,8% na arrecadação, a suficiência de caixa para cobrir custos operacionais atinge apenas 31,4% dos entes analisados. Esse déficit impacta diretamente a capacidade de investimento das prefeituras, que se veem obrigadas a escolher entre serviços precários ou novos encargos à população.
Uma alternativa técnica ganha força como solução sustentável: o cofaturamento do manejo de resíduos na conta de água. Especialistas, incluindo Daniel Keller, sócio-diretor da UNA Partners e mestre em Economia pela UFRJ, apontam que essa integração aproveita estruturas de cobrança já consolidadas. O modelo utiliza o consumo de água como variável indicativa para definir critérios tarifários, otimizando processos administrativos.
A adoção desse modelo pode reduzir em até 25% a receita necessária para o custeio, comparado à emissão de boletos isolados. Segundo a lógica da economia comportamental, a unificação das cobranças simplifica o pagamento para o cidadão e atenua a percepção negativa do tributo, desde que mantida a transparência sobre o valor destinado ao saneamento. Trata-se de uma medida que, embora não substitua a necessidade de planejamento operacional, fortalece a previsibilidade financeira necessária para a saúde pública.

Comentários (0)
Deixe seu comentário