Ibovespa acumula queda de 18% em semana histórica após segundo turno
A desvalorização iguala patamares críticos observados na pandemia e exige cautela de investidores. Especialistas monitoram sinais da nova equipe econômica.
O Ibovespa encerrou a semana com uma queda superior a 18%, atingindo 167.922 pontos, após cinco pregões seguidos de baixa. Este movimento foi consolidado no sábado, 31/10/2026, logo após a confirmação da reeleição do presidente Lula (PT), evento que provocou uma reavaliação intensa das apostas no mercado financeiro. Este cenário é considerado um dos momentos de maior instabilidade desde o Plano Real, conforme dados da consultoria Elos Ayta. A desvalorização coloca a bolsa brasileira em um patamar comparável ao observado em 20 de março de 2020, durante o início da pandemia de Covid-19. O impacto nas empresas listadas na B3 foi severo, com uma perda de R$ 963 bilhões em valor de mercado apenas nesta semana. O comportamento dos ativos reflete a desmontagem de posições especulativas que haviam sido estruturadas na expectativa de vitória de Flávio Bolsonaro (PL). O movimento foi intensificado pela saída de capital estrangeiro, que buscava evitar os riscos associados às incertezas da política fiscal. A Ptax também registrou forte volatilidade, com alta de 7,61% no dólar ao longo do período analisado pelo Banco Central do Brasil (BC). Para especialistas como Ricardo Trevisan, CEO da Gravus Capital, a queda é uma correção técnica de expectativas, mas a recuperação real depende de compromissos concretos. A trajetória futura do Ibovespa permanece incerta, estando condicionada à apresentação da equipe econômica e à definição de um plano fiscal sustentável. A prudência é recomendada, uma vez que o mercado agora aguarda a decisão do Copom sobre a Selic, agendada para a próxima quarta-feira, 4 de novembro de 2026. A dívida bruta brasileira, que alcançou 82,9% do Produto Interno Bruto (PIB) em agosto, permanece como o epicentro da preocupação dos agentes econômicos. A necessidade de sinais claros sobre o equilíbrio das contas públicas é apontada por Luiz Dornelas, do Grupo Ludo, e Emerson Vieira De Farias Junior, da Convexa Investimentos, como o fator determinante para a estabilização dos ativos nos próximos meses.

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