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Adailton Gonçalves
Por Adailton Gonçalves
Notícias de Parnamirim e região
Política

Empresários no RN enfrentam críticas após boicotes a eleitores no pós-Eleições

Casos de assédio eleitoral contra apoiadores do PT geram reações, investigações do MPT-RN e alertas de especialistas sobre riscos à democracia e aos negócios.

Manifestação política em ambiente público no Rio Grande do Norte.
Casos de assédio eleitoral em Natal geram reações de especialistas e órgãos de controle. · Foto: Especialistas e cientistas criticam o assédio eleitoral e alertam sobre os riscos para a democracia e o mercado diante de atitudes discriminatórias | Divulgação

A onda de assédio eleitoral contra cidadãos que exerceram seu direito ao voto tornou-se um foco de tensão no Rio Grande do Norte após o encerramento do segundo turno das Eleições 2026. A prática, que envolve ameaças de demissões, boicotes a serviços e represálias comerciais contra eleitores do Partido dos Trabalhadores (PT), ganhou visibilidade após episódios em Natal repercutirem nas redes sociais e preocuparem autoridades sobre os limites da liberdade de expressão e a dignidade do trabalhador.

Um dos casos mais emblemáticos envolveu o proprietário do Hot Dog do Negão. Em um vídeo publicado no Instagram, o empresário Victor Cunha afirmou que funcionários petistas deveriam pedir demissão caso seus patrões fossem bolsonaristas. As declarações incluíram a ameaça de cortar serviços de profissionais como a "Moça dos Cílios" e cancelar atividades de reforço escolar de suas filhas devido a divergências políticas. A profissional citada, a empreendedora Lohana Maya, do estúdio @studiolohanamaia, viu o número de seus seguidores saltar de dois mil para 41 mil até o final da última semana de outubro, em um gesto de solidariedade da sociedade contra a retaliação. Após a repercussão negativa, o empresário gravou um vídeo de retratação na terça-feira (27).

O cenário de retaliação estende-se ao mercado de trabalho. Uma empregada doméstica em Natal, cuja identidade foi preservada, foi demitida após seus empregadores descobrirem seu posicionamento político. Paralelamente, o CEO do salão de beleza Hegley, também em Natal, publicou conteúdos demonstrando indignação com o resultado das urnas, alegando que apenas se relacionaria com indivíduos que compartilhassem de sua ética de trabalho.

José Antônio Spinelli, pós-Doutor em Relações Internacionais e professor da UFRN, classificou essas atitudes como "indefensáveis". Segundo o cientista político, o Tribunal Superior Eleitoral, sob a presidência atual, reconheceu a lisura do pleito e a reeleição do presidente Lula, tornando qualquer movimento de boicote infundado. Spinelli alerta que, além do dano social, empresários que adotam tais posturas se expõem a riscos jurídicos e prejuízos mercadológicos ao discriminar clientes e colaboradores.

O impacto dessas ações também é acompanhado pelo Ministério Público do Trabalho no Rio Grande do Norte (MPT-RN), que, até a quarta-feira (28), contabilizava 60 denúncias de assédio eleitoral. O órgão investiga a conduta de empregadores que ameaçam a estabilidade de trabalhadores baseados em convicções ideológicas. Enquanto isso, o Governo Federal avalia restringir o acesso a crédito público para empresas que comprovadamente pratiquem assédio eleitoral.

Oswaldo Negrão, presidente do Sindicato dos professores da UFRN, ressaltou que a civilidade é um pilar democrático indispensável. "Precisamos pensar em uma sociedade que acolha as divergências. Isso é saudável para a preservação da dignidade e da qualidade de vida", pontuou. Especialistas em marketing reforçam que a mistura de fanatismo político com a gestão de negócios é um erro estratégico, capaz de fragilizar a sustentabilidade de qualquer empreendimento a longo prazo.

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