Lula e Flávio transformam disputa por símbolos religiosos em pauta eleitoral
Candidatos buscam capitalizar politicamente sobre desinformação envolvendo o título de padroeira do Brasil enquanto o TSE intervém no debate digital.
A exploração eleitoral de um boato envolvendo o título de padroeira do Brasil de Nossa Senhora Aparecida atingiu o ápice nesta segunda-feira, 12 de outubro de 2026. A disputa, que se intensificou nas últimas semanas, coloca frente a frente Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio, que utilizam o tema para consolidar apoios e atacar a integridade dos adversários em um cenário de alta sensibilidade religiosa.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem adotado uma postura de defensor da devoção católica em seus atos públicos. Em 27 de setembro de 2026, durante o programa Canal Livre, da Band, o petista evitou desmentir categoricamente a informação falsa que circulava nas redes sociais. Em eventos posteriores, como em Belém (PA) e Natal (RN), Lula reforçou seu discurso de proteção à figura de Nossa Senhora, exibindo imagens religiosas para multidões.
Do outro lado, o senador Flávio Bolsonaro, alvo da desinformação, nega qualquer intenção de alterar o status da padroeira. O parlamentar associou a propagação do boato a uma estratégia de ataque do PT e comparou o impacto da narrativa à facada sofrida por Jair Bolsonaro em 2018. Em 28 de setembro de 2026, ao lado de Tarcísio de Freitas em São Paulo, o senador buscou reverter a imagem negativa ao exibir uma representação da santa em crochê.
A crise atingiu a CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), que foi citada indevidamente por Flávio. A instituição emitiu nota repudiando o uso de seu nome na disputa, enfatizando que "a mentira não se combate com outra mentira" e negando qualquer participação na fabricação de conteúdos falsos.
O embate tem raízes em uma distorção de declarações anteriores sobre um projeto de lei antigo, o PL 2.623/2007, de autoria do Professor Victorio Galli, que pretendia alterar a nomenclatura do feriado nacional. O texto foi arquivado em 22 de agosto de 2008, mas foi resgatado para alimentar a discórdia eleitoral.
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) interveio na controvérsia, determinando a remoção de conteúdos que atribuíam indevidamente a Flávio a intenção de retirar o título de padroeira, embora tenha mantido publicações que não citavam nominalmente o candidato. O impacto desse embate reflete a preocupação das campanhas com a influência de valores espirituais no comportamento do eleitorado brasileiro.

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