Ir para o conteúdo
Adailton Gonçalves
Por Adailton Gonçalves
Notícias de Parnamirim e região
Política

Sistema proporcional no RN deixa candidatos mais votados fora da eleição de 2026

O quociente eleitoral definiu a ocupação das cadeiras na Câmara dos Deputados e na Assembleia Legislativa, evidenciando distorções entre a votação individual e a conquista da vaga.

A eleição para a Câmara dos Deputados e para a Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte, realizada em 07/10/2026, reafirmou a complexidade do sistema proporcional brasileiro. O pleito destacou uma lacuna recorrente entre o volume de votos recebidos por um candidato e a efetiva ocupação de uma cadeira parlamentar, fenômeno que frustrou as expectativas de diversos postulantes ao legislativo.

Na corrida pela Câmara dos Deputados, Natália Bonavides (PT) consolidou sua liderança estadual com 215.509 votos. Em contrapartida, nomes como Robinson Faria (PP), que obteve 123.008 votos, e Cabo Deyvison (PL), com 100.795, figuraram como suplentes. O caso de Robinson Faria é emblemático, uma vez que sua votação superou em mais de 30 mil votos a marca alcançada por Thabatta Pimenta (PV), última candidata a garantir uma vaga na Câmara, que obteve 92.743 votos.

O cenário na Assembleia Legislativa apresentou distorções ainda mais acentuadas. Embora Coronel Azevedo (PL) tenha atingido o topo da votação com 105.403 votos, o cálculo das sobras permitiu que Camila Araújo (PL) conquistasse o assento com 31.438 votos. Esta configuração deixou de fora candidatos com votações significativamente superiores, como Galeno Torquato (União Brasil), com 46.129 votos, e Eriko Jácome (PSDB), com 45.883.

A disparidade ocorre devido à lógica do sistema proporcional, que prioriza o desempenho da legenda ou federação. Vagas são distribuídas através do quociente eleitoral e dos cálculos de média — o que permitiu que Thabatta Pimenta e Camila Araújo garantissem mandatos apesar de contagens individuais menores. Para o eleitor, a dinâmica reforça que, no atual modelo, o voto na sigla é tão determinante quanto a preferência nominal para a formação das bancadas.

Leia também

Comentários (0)

Seja o primeiro a comentar!

Deixe seu comentário

Seu e-mail não será publicado.

Máx. 2000 caracteres 0 / 2000