Conselho Tutelar acompanha criança exposta com armas de brinquedo em ato político
Mãe presta esclarecimentos após vídeo de menino de 9 anos com simulacros em Parnamirim viralizar; órgão prioriza suporte psicológico ao menor.
O Conselho Tutelar de Parnamirim iniciou nesta quarta-feira, 07/10/2026, medidas de proteção a uma criança de 9 anos, filmada manipulando objetos semelhantes a armas durante um evento político que contou com a presença de Flávio Bolsonaro (PL). A decisão de intervir foi motivada pela exposição do menor a uma situação de risco e pelo impacto emocional sofrido pela criança após a repercussão das imagens nas redes sociais.
Em depoimento prestado à conselheira tutelar Amanda Melo, a mãe do menino esclareceu que a criança estava sob os cuidados do pai no fim de semana em que o vídeo foi gravado na Avenida Castor Vieira Régis, no bairro Cohabinal. Segundo o relato, os itens exibidos pela criança eram, de fato, armas de brinquedo. O caso, porém, acendeu um alerta sobre os limites da exposição infantil em contextos de manifestações políticas.
O episódio gerou uma onda de ataques virtuais que atingiu diretamente a rotina do menino. Conforme apurado pelo Conselho Tutelar, colegas de escola identificaram a criança nas filmagens, o que agravou o sofrimento psicológico do menor. "A proteção à criança está acima de bandeiras partidárias", enfatizou Amanda Melo, ressaltando que o foco atual é garantir o suporte emocional necessário por meio de acompanhamento psicológico para o menino.
Apesar da gravidade, o órgão não aplicou penalidades imediatas aos responsáveis, optando pelo encaminhamento para regularização da guarda e orientação. A conselheira reforçou que a utilização de simulacros em eventos públicos coloca o menor em perigo, dado o risco de confusão com armamentos reais por parte de terceiros ou forças de segurança. A prática foi classificada como uma forma de apologia à violência.
O vereador de Parnamirim Gabriel César (PL), organizador do ato, minimizou o ocorrido e afirmou que o evento transcorreu de forma pacífica, declarando que pretende oferecer suporte jurídico aos pais, caso necessário. Enquanto isso, a Polícia Civil do Rio Grande do Norte, por meio da 17ª Delegacia de Polícia de Parnamirim, instaurou procedimentos para apurar as circunstâncias do caso. A investigação, que segue em curso, definirá se houve responsabilidade penal por parte dos adultos envolvidos na condução da criança durante a exposição.

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