Mártires de Cunhaú e Uruaçu: a origem histórica do feriado no RN
Estabelecido por Lei Estadual em 2006, o feriado de 3 de outubro homenageia 30 fiéis mortos durante as invasões holandesas no século XVII.
A Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte estabeleceu o feriado de 3 de outubro para honrar a memória dos Mártires de Cunhaú e Uruaçu, um marco de fé e resistência histórica. A data foi oficializada pela Lei Estadual nº 8.913/2006, elegendo o dia em que, no ano de 1645, ocorreu o massacre de fiéis católicos em Uruaçu, no município de São Gonçalo do Amarante, como símbolo da identidade potiguar.
Um legado de fé sob conflitos
O drama dos martírios integra o contexto das invasões holandesas no Nordeste. O primeiro ataque ocorreu em 16 de julho de 1645, na capela de Nossa Senhora das Candeias, em Cunhaú, Canguaretama. Fiéis que assistiam à missa foram surpreendidos por uma ofensiva que vitimou o padre André de Soveral. Meses depois, em 3 de outubro de 1645, o cenário de violência se repetiu em Uruaçu, às margens do rio Potengi, ceifando a vida do padre Ambrósio Francisco Ferro, do leigo Mateus Moreira e de outros companheiros.
O reconhecimento da Igreja Católica
A trajetória de sacrifício dos 30 mártires — dois sacerdotes e 28 leigos — culminou no reconhecimento oficial da Igreja Católica em 5 de março de 2000. Naquela data, o papa João Paulo II proclamou a beatificação do grupo, conferindo-lhes o título de Protomártires do Brasil, reafirmando a importância cultural e espiritual desses locais para o Rio Grande do Norte.
Anualmente, o feriado de 3 de outubro é marcado por peregrinações e celebrações que mantêm viva a preservação histórica do santuário de Uruaçu e da capela de Cunhaú, pontos de reflexão sobre o passado do Brasil.

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