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Adailton Gonçalves
Por Adailton Gonçalves
Notícias de Parnamirim e região
Ciência & Saúde

Barreiras no acesso à Cannabis medicinal persistem no Rio Grande do Norte

Custo elevado, desinformação e escassez de médicos especialistas dificultam o tratamento para pacientes no RN.

Frasco de óleo de Cannabis medicinal sobre fundo neutro.
Tratamento com Cannabis medicinal busca oferecer qualidade de vida e controle de sintomas. · Foto: Reprodução/Montagem/BNews RN

Pacientes e famílias que buscam terapias à base de Cannabis medicinal no Rio Grande do Norte enfrentam um cenário de obstáculos persistentes, conforme apontado pela Associação Reconstruir Cannabis nesta sábado, 31/10/2026. A dificuldade de acesso é agravada pelo alto custo dos produtos, pela escassez de profissionais capacitados para a prescrição e pela desinformação que ainda permeia o tema, impactando a dignidade e a qualidade de vida de quem busca alternativas terapêuticas.

Para Felipe Farias, representante da Associação Reconstruir Cannabis, a recente implementação de um protocolo de fornecimento pelo Sistema Único de Saúde (SUS) no Rio Grande do Norte, embora seja um passo fundamental, ainda é vista como uma medida tímida. Atualmente, a assistência pública contempla apenas portadores das síndromes de Lennox Gastaut, Dravet e esclerose tuberosa.

"A SESAP iniciou um protocolo de fornecimento via SUS que ainda é limitado frente à demanda real no Rio Grande do Norte", avalia Farias. A expectativa da associação é que esse modelo seja expandido, permitindo que a rede pública acolha também pacientes com condições como dor crônica, epilepsia, doença de Alzheimer e Transtorno do Espectro Autista (TEA).

Além da ampliação da oferta, o representante destaca a necessidade urgente de capacitação técnica na rede pública. O objetivo é formar ao menos 500 profissionais, incluindo médicos, enfermeiros e fisioterapeutas, para que possam identificar corretamente as indicações e contraindicações da terapia. Segundo dados da Kaya Mind, o Brasil conta hoje com uma média de apenas 2,6 médicos prescritores para cada 10 mil habitantes.

O impacto dessas barreiras reverbera diretamente no núcleo familiar. A melhoria nos sintomas dos pacientes, que vai desde o controle de crises convulsivas até a gestão de transtornos de ansiedade, transforma a rotina de quem cuida. "A Cannabis não vem para tratar somente o sintoma, mas também quem cuida daquele paciente", ressalta Farias, pontuando que o acolhimento e a informação de qualidade são ferramentas essenciais para desmistificar o uso medicinal e garantir o acesso democrático ao tratamento.

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