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Adailton Gonçalves
Por Adailton Gonçalves
Notícias de Parnamirim e região
Ciência & Saúde

Surto de Ebola na República Democrática do Congo atinge 5 mil mortes

O vírus Bundibugyo acumula 5.026 óbitos e desafia autoridades com letalidade de quase 50% em meio a conflitos e falta de assistência.

Equipe de saúde em área afetada pelo surto de ebola na República Democrática do Congo.
Trabalhadores de saúde enfrentam dificuldades no controle do ebola no leste da República Democrática do Congo. (Foto: MARIE RUWET/AFP) · crédito: AFP)

O surto de ebola na República Democrática do Congo atingiu o patamar crítico de 5.026 mortes entre 10.351 pessoas infectadas, conforme dados oficiais divulgados neste sábado, 31/10/2026, pelo Ministério da Saúde do país. A letalidade da doença permanece em um índice alarmante de quase 50%, evidenciando um desafio humanitário crescente que já vitimou milhares de famílias e sobrecarregou comunidades inteiras.

Causado pelo vírus Bundibugyo, o surto foi declarado em meados de maio e se consolida como o segundo mais mortal da história. Desde então, a enfermidade se disseminou por 67 das 178 zonas de saúde do Congo, com epicentro nas províncias de Ituri e Kivu do Norte, que concentram 9.782 casos confirmados.

Para o médico Patrick Otim, da Organização Mundial da Saúde (OMS), o impacto humano é incalculável. Ele destaca que cerca de 80% dos novos casos ocorrem fora do monitoramento, e um terço das vítimas morre sem sequer acessar um centro de tratamento. 'São pessoas que nunca tivemos a oportunidade de tentar salvar. É uma preocupação central: como chegar a elas mais cedo?', questiona o especialista.

O controle da doença é dificultado por um cenário complexo, que inclui conflitos armados no leste do território, resistência populacional e greves de profissionais da saúde por atrasos salariais — como a paralisação registrada na sexta-feira, 30/10/2026, em Tchomia. Além disso, a variante Bundibugyo carece de vacinas e terapias específicas, limitando o atendimento médico a cuidados de suporte.

A crise já ultrapassou fronteiras, com registros no Quênia, Nigéria e Uganda, tornando este o surto de maior alcance geográfico já observado no continente africano. A doença, pertencente à família Filoviridae, é transmitida pelo contato direto com fluidos corporais de infectados, apresentando sintomas como Febre, Dor, Fraqueza, Diarreia e Em casos graves, hemorragias internas.

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