Controle da pressão alta pode evitar 518 mil mortes anuais em 20 países
Estudo apresentado nas Sessões Científicas de Hipertensão da AHA aponta o tratamento da pressão arterial como a medida mais eficaz para reduzir a mortalidade.
O controle rigoroso da pressão arterial possui o potencial de salvar mais de 518 mil vidas por ano em 20 países de renda média, incluindo o Brasil. A constatação foi apresentada nesta quarta-feira, 14/10/2026, durante as Sessões Científicas de Hipertensão da Associação Norte-Americana do Coração (AHA), nos Estados Unidos, com publicação agendada para novembro na revista Hipertensão.
O estudo, conduzido por pesquisadores da Escola de Medicina da Universidade Johns Hopkins, em Baltimore, utilizou modelos estatísticos para projetar o impacto de políticas preventivas. A análise demonstra que, se 80% das pessoas elegíveis recebessem os cuidados recomendados, a hipertensão se tornaria o fator de maior redução de mortalidade, superando as intervenções para colesterol e diabetes.
Segundo o cardiologista Vagner Ferreira, do Hospital Mantevida, em Brasília, o impacto positivo reflete a necessidade de frear os danos contínuos que a pressão elevada causa ao sistema circulatório. "Quando controlamos a pressão, reduzimos a sobrecarga em órgãos vitais como o coração, rins e cérebro, diminuindo drasticamente os riscos de infarto, acidente vascular cerebral (AVC) e insuficiência cardíaca", explica o especialista.
Apesar de tratável, a condição permanece um desafio global. Dados revelados no encontro da AHA indicam que, nos países analisados, apenas um em cada cinco adultos com hipertensão mantém os níveis pressóricos controlados (abaixo de 140 por 90 mmHg). O caráter silencioso da patologia é um dos principais obstáculos, já que muitos pacientes só buscam auxílio médico após o surgimento de complicações graves.
Fabrício da Silva, cardiologista da Amplexus Saúde Especializada, em Brasília, ressalta que a adesão ao tratamento é frequentemente comprometida pela ausência de sintomas imediatos. "Como o paciente não sente dor ou desconforto, a interrupção do uso de medicamentos ou a irregularidade no acompanhamento médico tornam-se frequentes. É fundamental conscientizar que o controle é um processo de preservação da dignidade e da qualidade de vida", pontua.
Para fortalecer a prevenção, a Associação Norte-Americana do Coração recomenda oito hábitos essenciais, que incluem alimentação equilibrada com foco em proteínas vegetais, prática regular de atividade física, controle do peso e monitoramento constante da pressão, colesterol e glicemia. Daniel W. Jones, representante da American Heart Association, reforçou que os resultados da pesquisa devem servir como diretriz para políticas públicas de saúde e para a prática clínica cotidiana.

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