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Adailton Gonçalves
Por Adailton Gonçalves
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Ciência & Saúde

Rio Grande do Norte lidera o índice nacional de excesso de peso no SUS

Dados do Sisvan revelam que 75,5% dos adultos monitorados no Rio Grande do Norte enfrentam sobrepeso ou obesidade, evidenciando um desafio crescente para o SUS.

Infográfico sobre os índices de obesidade no Brasil pelo SUS.
O Sisvan monitora o estado nutricional de milhões de brasileiros atendidos na Atenção Primária. · Foto: Reprodução

O Rio Grande do Norte registrou o maior índice de excesso de peso entre adultos acompanhados pelo Sistema Único de Saúde (SUS), conforme dados consolidados pelo Ministério da Saúde, divulgados nesta segunda-feira, 02/11/2026. O levantamento, realizado por meio do Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (Sisvan), aponta que 75,5% dos pacientes monitorados no estado enfrentam quadros de sobrepeso ou obesidade, uma condição que compromete diretamente a qualidade de vida e sobrecarrega a rede pública de assistência.

A análise da situação nutricional brasileira revela um cenário de alerta em todo o território nacional. Em uma década, o número de adultos com obesidade acompanhados pelo sistema saltou de 3,09 milhões, em 2016, para 11,12 milhões, em 02/11/2026, representando um aumento de 259%. Pela primeira vez na série histórica, o número de indivíduos com obesidade superou o de pessoas com sobrepeso, atingindo 36,4% do público monitorado.

O impacto clínico é profundo, visto que a obesidade é uma doença crônica associada a mais de 240 complicações, incluindo patologias cardiovasculares e diversos tipos de câncer. O Rio Grande do Sul lidera as taxas isoladas de obesidade com 42,6%, enquanto o Rio Grande do Norte mantém a liderança no índice combinado de excesso de peso.

Bruno Halpern, endocrinologista e presidente da Federação Mundial da Obesidade, além de vice-presidente da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica (Abeso), sublinha que o tratamento na Atenção Primária ainda enfrenta barreiras estruturais. Entre os principais gargalos estão a escassez de medicamentos, a necessidade de maior capacitação das equipes de saúde e a ausência de protocolos clínicos unificados.

As discussões sobre o aprimoramento dessas políticas foram temas centrais do XVI Congresso Latino-Americano de Obesidade, realizado em Salvador entre 28 de outubro e 31 de outubro de 2026. A urgência de medidas como o incentivo ao consumo de alimentos naturais e a estruturação de linhas de cuidado integradas pautam a agenda das autoridades sanitárias para frear o avanço da condição na população atendida pelo SUS.

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