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Adailton Gonçalves
Por Adailton Gonçalves
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Ciência & Saúde

Cientistas da Universidade Johns Hopkins descobrem como bactéria facilita câncer de cólon

Pesquisa identifica mecanismo de ligação da toxina BFT e testa estratégia de bloqueio com proteína artificial para proteger o revestimento intestinal.

Ilustração representativa do trato intestinal humano.
A bactéria Bacteroides fragilis utiliza a proteína claudina-4 para danificar o revestimento do cólon. · Foto: boonchai wedmakawand

Pesquisadores da Universidade Johns Hopkins, nos Estados Unidos, identificaram um mecanismo molecular que permite à bactéria Bacteroides fragilis danificar o revestimento do cólon e favorecer o desenvolvimento de tumores, conforme revelado em estudo publicado na revista Nature em 22 de abril de 2026. A descoberta representa um passo crucial para entender a progressão do câncer colorretal e aponta caminhos para futuras intervenções terapêuticas, conforme detalhado em análise divulgada neste sábado, 31/10/2026.

A mecânica da toxina BFT

A investigação focou na toxina BFT, produzida por cepas específicas da Bacteroides fragilis, bactéria presente no intestino de aproximadamente 20% da população saudável. O estudo esclareceu que essa substância utiliza a proteína claudina-4 como porta de entrada para se fixar às células intestinais. Uma vez conectada, a toxina ataca a E-caderina, responsável por manter a coesão celular e a integridade da barreira protetora do cólon, cuja falha favorece processos inflamatórios e a formação de massas tumorais.

Inovação terapêutica em testes

Utilizando a tecnologia CRISPR para mapear receptores celulares, a equipe desenvolveu uma proteína solúvel que atua como uma isca, interceptando a BFT antes que ela alcance o tecido humano. Em ensaios pré-clínicos realizados com camundongos, a estratégia impediu efetivamente os danos ao revestimento intestinal.

Limitações e próximos passos

Apesar dos resultados promissores, a pesquisa encontra-se em estágio inicial. Ainda não há comprovação de que o método bloqueie a progressão do câncer em humanos, sendo necessários novos estudos para refinar a eficácia molecular do tratamento. Os autores ressaltam que, apesar de não haver previsão de uso clínico imediato, a descoberta abre precedentes para investigar o papel da toxina em outras condições, como diarreias persistentes e infecções sistêmicas.

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