Bolsa brasileira perde R$ 734 bilhões em valor de mercado após eleições
Queda de 12,9% no valor das empresas eliminou 75,5% dos ganhos acumulados em 2026, segundo a consultoria Elos Ayta.
O valor de mercado das empresas listadas na B3 sofreu uma retração de R$ 734 bilhões na segunda-feira, 26 de outubro de 2026, reagindo ao cenário eleitoral após a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O montante total das companhias na bolsa brasileira recuou 12,91% em um único pregão, caindo de R$ 5,684 trilhões, na sexta-feira, 23 de outubro de 2026, para R$ 4,950 trilhões, conforme dados da consultoria Elos Ayta.
A desvalorização expressiva equivale a praticamente todo o valor de mercado da Petrobras, que é avaliada em R$ 746 bilhões. Em apenas uma sessão, o mercado acionário brasileiro viu desaparecer o equivalente a 98,4% do valor da gigante petrolífera, um reflexo direto da aversão ao risco percebida pelos investidores frente à nova configuração política do país.
Esse recuo abrupto reverteu quase todo o otimismo observado nas semanas anteriores. Entre 2 de outubro de 2026 e 23 de outubro de 2026, período que abrangeu o primeiro turno das eleições, as empresas haviam registrado uma valorização de R$ 409 bilhões. Com o movimento da última segunda-feira, o valor total das companhias ficou R$ 325 bilhões abaixo do patamar registrado logo antes da primeira votação.
O impacto também foi sentido nos ganhos anuais. Em 31 de dezembro de 2025, o valor de mercado consolidado da B3 era de R$ 4,712 trilhões. Até 23 de outubro de 2026, o mercado havia acumulado um crescimento de R$ 972 bilhões. A queda observada na segunda-feira consumiu 75,5% de toda a valorização obtida ao longo do ano, reduzindo o saldo positivo acumulado em 2026 para R$ 238 bilhões.
É importante ressaltar, sob uma perspectiva técnica, que essa redução reflete a queda nos preços das ações e não representa uma saída física de R$ 734 bilhões em espécie da bolsa. A variação decorre da reavaliação de riscos pelos investidores, que ajustam suas expectativas sobre política econômica, juros e contas públicas, evidenciando como a percepção de mercado pode alterar o patrimônio investido de forma célere.

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