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Adailton Gonçalves
Por Adailton Gonçalves
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Economia

Professor em Cambridge defende ajuste fiscal 'suave' para equilibrar contas

Economista Tiago Cavalcanti sugere metas críveis de longo prazo e revisões em gastos, como no salário mínimo, para evitar turbulências no mercado brasileiro.

Foto do economista Tiago Cavalcanti, professor em Cambridge.
O economista Tiago Cavalcanti em análise sobre os desafios econômicos do governo. · Foto: REUTERS via BBC

Equilibrar as contas públicas e reduzir a taxa de juros no Brasil exige um planejamento estratégico focado no longo prazo, sem o uso de atalhos que possam comprometer a estabilidade econômica do país. Esta foi a conclusão apresentada em 08/11/2026 pelo economista Tiago Cavalcanti, professor titular da Universidade de Cambridge, no Reino Unido, em análise sobre os desafios fiscais enfrentados pela gestão de Lula.

Para Cavalcanti, a prioridade imediata do governo deveria ser a ancoragem das expectativas do mercado. O especialista defende que o anúncio de uma equipe econômica técnica e comprometida com o rigor fiscal, aliada ao preenchimento de diretorias vagas no Banco Central, seria um sinal decisivo para evitar que investidores operem contra a moeda nacional, o que impactaria diretamente a inflação e os juros.

Em vez de ajustes drásticos e imediatos, que poderiam ser socialmente custosos, o acadêmico propõe uma trajetória de ajuste suave. "Você pode fazer o compromisso de longo prazo. Então, não precisa cortar de uma vez, vamos suavizar isso ao longo dos anos", explicou. Essa estratégia permitiria que o país recuperasse a sustentabilidade da dívida pública sem inviabilizar o suporte às populações mais vulneráveis.

Um ponto central da análise diz respeito aos gastos com aposentadorias, pensões do INSS e o BPC. Cavalcanti questiona a regra que prevê reajustes do salário mínimo acima da inflação enquanto as contas não estiverem equilibradas. Segundo ele, manter apenas a reposição do poder de compra seria o caminho mais prudente, visto que aumentos reais geram um efeito cascata nas despesas primárias da União que compromete a margem para outros investimentos essenciais.

O economista também refutou propostas de redução rápida da taxa Selic, comparando os riscos de intervenção forçada a experiências observadas em países como a Turquia sob a gestão de Erdogan. Para o professor da Fundação Getúlio Vargas, a política econômica deve ser pautada em evidências sólidas. Ele alerta que desconsiderar as reações do mercado pode levar a um cenário de desconfiança generalizada, aumentando o custo da dívida e dificultando a retomada dos investimentos produtivos necessários para o crescimento do Brasil.

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