Ministério da Igualdade Racial apura cena de homem negro acorrentado em ato pró-Flávio Bolsonaro
Pastas federais e o Ministério Público investigam protesto no Rio de Janeiro que utilizou correntes e símbolos de escravidão para atacar adversários políticos.
O Ministério da Igualdade Racial formalizou pedidos de investigação junto ao Ministério da Justiça e Segurança Pública e à Procuradoria Regional Eleitoral do Rio de Janeiro, no dia 25 de outubro de 2026, para apurar um caso de racismo ocorrido durante uma manifestação de apoio ao senador Flávio Bolsonaro, do Partido Liberal (PL). A medida busca esclarecer a conduta registrada no dia 24 de outubro de 2026, que causou comoção nacional ao expor a dignidade humana em nome de interesses político-partidários.
O episódio, ocorrido na Praça do Ó, na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio de Janeiro, foi gravado e compartilhado via Instagram. Nas imagens, um homem branco conduz um homem negro acorrentado, utilizando termos depreciativos como "Luladrão", "Satanás" e "Capiroto" para se referir ao presidente Lula. A cena remete diretamente aos períodos mais sombrios da história brasileira, quando a prática de acorrentar seres humanos era utilizada como instrumento de opressão e submissão.
O homem identificado como Carlos Martins, responsável por portar a corrente, utilizou suas redes sociais para se defender. Segundo ele, o ato tratou-se de uma sátira política, negando intenções racistas e afirmando que o objetivo era representar uma suposta prisão de Lula, a quem ele associa aos termos mencionados. Apesar da justificativa, a gravidade do uso de uma pessoa negra como alegoria de escravidão levanta questionamentos sobre os limites da liberdade de expressão e a preservação dos direitos fundamentais.
Em nota oficial divulgada em 27 de outubro de 2026, o Ministério da Igualdade Racial reiterou que a encenação é inaceitável, pontuando que o uso de corpos negros acorrentados perpetua uma herança odiosa do Brasil escravocrata. Paralelamente, a deputada federal eleita Anielle Franco, do Partido dos Trabalhadores (PT), declarou que buscará instâncias superiores para cobrar providências severas, integrando o caso a um cenário de instabilidade registrado também em Belo Horizonte, onde símbolos religiosos foram alvo de desrespeito em manifestações distintas.

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