Planalto mantém cautela sobre apoio da Casa Branca a Flávio Bolsonaro
Governo brasileiro adota postura de reserva sobre a logística de fuga do senador, enquanto aguarda o desdobramento das eleições de meio de mandato nos EUA.
Auxiliares do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) mantêm uma postura de serenidade estratégica diante da confirmação da participação da Casa Branca na logística de saída do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) do Brasil. Conforme revelado em reportagem do The New York Times, o jato particular utilizado por Flávio, sua esposa e suas duas filhas para chegar aos Estados Unidos teria sido providenciado por Jason Miller, aliado da família Bolsonaro e integrante da estrutura de comunicação da gestão de Donald Trump.
Esta movimentação confirma a percepção do alto escalão do governo brasileiro sobre o alinhamento direto entre os governos de Donald Trump e de Javier Milei, na Argentina, na operação de auxílio ao senador. Apesar da gravidade política do episódio, o Palácio do Planalto optou por não tomar medidas diplomáticas imediatas, priorizando a cautela até a definição das eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, marcadas para 03/11/2026. A avaliação é que evitar ruídos agora preserva o governo federal de ser arrastado para uma crise que transita entre a diplomacia internacional e investigações criminais internas.
De acordo com informações do The New York Times, a entrada de Flávio nos EUA ocorreu via “parole”, mecanismo utilizado para autorizar a permanência temporária por razões humanitárias ou de interesse público, procedimento confirmado publicamente pelo presidente dos EUA em 28/10/2026. A perspectiva é de que o senador pleiteie o green card, seguindo um caminho similar ao do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que obteve residência permanente em julho de 2026.
O cenário jurídico para o senador no Brasil é complexo. Em 26/10/2026, a Polícia Federal (PF) notificou o parlamentar para a entrega de seus passaportes, conforme ordem expedida pelo ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes. A decisão judicial está vinculada a investigações que apuram conexões de Flávio com o advogado Willer Tomaz, alvo de apurações sobre lavagem de dinheiro, além de suspeitas envolvendo o financiamento do filme “Dark Horse”. A resistência do senador em cumprir a determinação da PF e sua saída do território nacional adicionam um novo patamar de tensão à investigação, que segue sob análise das autoridades competentes.

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