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Adailton Gonçalves
Por Adailton Gonçalves
Notícias de Parnamirim e região
Economia

Imposto do pecado aplica tributação seletiva para desestimular consumo de produtos nocivos

Modelo de taxação adotado no Brasil segue padrão global observado na OCDE, visando reduzir custos bilionários gerados ao Sistema Único de Saúde.

Governo publica MP com alíquotas do imposto do pecado
Governo publica MP com alíquotas do imposto do pecado, com início de cobrança em 2027 — Foto: Jornal Nacional/ Reprodução

O Governo federal definiu as alíquotas do Imposto Seletivo, popularmente conhecido como "imposto do pecado", que entrará em vigor em fevereiro de 2027. A decisão, formalizada por meio de uma Medida Provisória, visa encarecer produtos e atividades que causam danos à saúde ou ao meio ambiente, utilizando a carga tributária como ferramenta para influenciar o comportamento do consumidor e mitigar impactos sociais negativos, nesta sábado, 07/11/2026.

A medida não é uma exclusividade do Brasil. Segundo um levantamento de 2024 da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), todos os 38 países membros do grupo aplicam impostos específicos sobre tabaco e bebidas alcoólicas. A Organização Mundial da Saúde (OMS) reforça a tendência, destacando que nações como Reino Unido, México, Portugal e França também tributam bebidas açucaradas para conter os efeitos nocivos desses itens na população.

A implementação é justificada pelos custos que o consumo desses produtos impõe ao Estado. Dados da Fiocruz e do Ministério da Saúde apontam que, apenas com o tabagismo, o impacto econômico anual no Brasil chega a R$ 153,5 bilhões, o equivalente a 1,6% do PIB. Enquanto a arrecadação com impostos sobre cigarros soma cerca de R$ 8 bilhões anuais, os gastos diretos e indiretos com saúde e perda de produtividade são drasticamente superiores.

O Imposto Seletivo incidirá sobre diversos itens, com alíquotas variadas. Bebidas açucaradas serão taxadas em 2,6%, enquanto a cerveja terá 4,2%. No caso de bebidas destiladas, como uísque, vodca, gim e tequila, a alíquota alcança 24%. Para o cigarro, o governo estabeleceu uma cobrança de 66,7% somada a R$ 3,50 por unidade.

Setores produtivos, contudo, manifestam preocupação. Representantes do mercado de bebidas alcoólicas argumentam que a carga tributária já é elevada, atingindo até 80% do preço final em alguns casos. Produtores alertam que novos reajustes podem pressionar o custo ao consumidor, reduzir margens operacionais e incentivar o contrabando. A medida, que já conta com alíquota zero para veículos de pessoas com deficiência ou motoristas profissionais, aguarda agora os trâmites do processo legislativo após a publicação da MP.

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