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Adailton Gonçalves
Por Adailton Gonçalves
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Economia

Copom define rumos da Selic sob pressão de incertezas fiscais no governo Lula 4

O Copom reúne-se nesta quarta-feira, 04/11/2026, para decidir a taxa básica de juros em um cenário de alta volatilidade financeira e expectativas de mercado.

Fachada do Banco Central do Brasil em dia nublado.
Reunião do Copom define patamar da taxa de juros brasileira. · Foto: 17/12/2024 - REUTERS/Adriano Machado

O Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central decide na noite desta quarta-feira, 04/11/2026, o novo patamar da taxa básica de juros do país, a Selic. A deliberação ocorre em um momento de acirrada disputa entre a necessidade de controle inflacionário e as expectativas do mercado financeiro diante da reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para um quarto mandato no Palácio do Planalto.

A decisão é aguardada com expectativa redobrada por famílias e empresas, que sentem no bolso o impacto direto do custo do crédito. Até o final de outubro, o mercado projetava um corte de 0,25 ponto percentual, levando a taxa de 13,75% para 13,5%. Contudo, o cenário atual de incertezas fiscais e a desvalorização do real alteraram os planos dos agentes econômicos.

A gestão petista enfrenta o desafio de transmitir credibilidade enquanto não define o titular do Ministério da Fazenda nem detalha o plano para as contas públicas. Essa indefinição, somada a ruídos políticos sobre uma possível aproximação com economistas heterodoxos, como André Lara Resende — um dos nomes por trás do Plano Real —, elevou o prêmio de risco. O impacto na vida real é imediato: o encarecimento do financiamento e a volatilidade da bolsa afetam o planejamento de investimentos e o consumo das famílias brasileiras.

Para Roberto Simioni, economista-chefe da Blue3 Investimentos, o Banco Central deve manter uma postura cautelosa. “A transição pós-campanha introduz uma incerteza que o Copom não pode ignorar”, afirma. Segundo ele, o mercado monitora se a futura equipe econômica manterá a disciplina fiscal. Caso prevaleçam estímulos excessivos à demanda ou a flexibilização de regras fiscais, o efeito será o encarecimento do custo do dinheiro, dificultando o alívio que a sociedade espera.

Em defesa da estabilidade, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, tem buscado acalmar os investidores, afastando rumores sobre medidas extremas, como o tabelamento de juros ou a queima de reservas cambiais. Claudio Frischtak, da Inter.B Consultoria, reforça que, com as contas públicas desorganizadas, qualquer proposta de intervenção artificial na economia é considerada “péssima”, podendo agravar a fragilidade do crescimento econômico no médio prazo.

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