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Adailton Gonçalves
Por Adailton Gonçalves
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Política

Padilha rebate clubes de futebol sobre bets: 'Minha briga são as mulheres'

Ministro da Saúde confronta interesses financeiros dos clubes e destaca o impacto devastador das apostas na saúde mental, com alta de 200% em atendimentos no SUS.

Ministro Alexandre Padilha durante audiência no STF sobre o impacto das bets na saúde pública.
Padilha também chamou atenção para a relação entre o vício em apostas e o risco de suicídio - (crédito: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, posicionou-se contra a manutenção das apostas esportivas on-line durante audiência pública no Supremo Tribunal Federal (STF), realizada em 04/11/2026. A decisão de priorizar o bem-estar social em detrimento dos interesses financeiros dos clubes de futebol ocorreu após convocação do ministro Luiz Fux, que busca reunir dados técnicos e humanitários sobre a proliferação das bets no Brasil.

Ao confrontar argumentos de dirigentes esportivos, o titular da Saúde sublinhou que a gestão pública deve focar no sofrimento das famílias. “Ouvi um representante de um time de futebol dizer que a briga dele são os clubes e os salários, como manter o time de futebol. A minha briga são as mulheres, 65% delas que têm vergonha de procurar um serviço de saúde, mesmo quando reconhecem que estão viciadas”, afirmou Padilha.

A preocupação central do governo reside no crescimento exponencial da ludopatia. Segundo Padilha, pesquisas indicam que indivíduos expostos às apostas apresentam um risco 15 vezes maior de suicídio. Este cenário reflete a pressão sobre o Sistema Único de Saúde (SUS), que registrou um aumento de mais de 200% na busca por tratamento de vício em jogos entre 2018 e 2026.

Dados apresentados durante a audiência revelam que 28 milhões de brasileiros apostaram nos últimos 12 meses, sendo que 11 milhões já demonstram padrões de comportamento problemáticos. Para o ministro, o exemplo de países estrangeiros demonstra que regulamentações publicitárias são insuficientes para mitigar os danos à saúde, reforçando que o debate no STF não é apenas econômico, mas de preservação da dignidade humana.

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