Crescimento de receitas contrasta com alerta de crise da Femurn
Dados do TCE/RN mostram alta de R$ 521,7 milhões na arrecadação de seis cidades, enquanto a Federação dos Municípios do Rio Grande do Norte (Femurn) aponta dificuldades financeiras.
A Federação dos Municípios do Rio Grande do Norte (Femurn) manifestou preocupação com o agravamento das dificuldades orçamentárias das prefeituras potiguares, gerando um debate sobre a real condição fiscal dos entes municipais, nesta sexta-feira, 06/11/2026. A decisão da entidade de emitir o alerta, seguindo recomendações da Confederação Nacional de Municípios (CNM), busca prevenir desequilíbrios na prestação de serviços essenciais à população, embora o cenário apresente nuances importantes quando confrontado com dados oficiais.
Ao comentar o posicionamento, o deputado estadual Francisco do PT ressaltou que a situação das contas públicas exige uma análise individualizada. Segundo o parlamentar, que foi ouvido pelo Diário do RN, as particularidades de cada administração impedem uma generalização sobre a crise, sendo necessário observar o desempenho fiscal específico de cada gestão.
O alerta da Femurn pontua uma redução de receitas aliada ao crescimento das despesas públicas. Contudo, um levantamento do Diário do RN, fundamentado nos Relatórios Resumidos da Execução Orçamentária (RREO) do quarto bimestre de 2025 e 2026, traz uma perspectiva divergente para seis dos principais municípios do estado. Os dados do Tribunal de Contas do Estado (TCE/RN) revelam que Natal, Mossoró, Parnamirim, São Gonçalo do Amarante, Macaíba e Extremoz registraram aumento na arrecadação.
Entre janeiro e agosto de 2026, as cidades citadas acumularam R$ 6,013 bilhões, ante R$ 5,491 bilhões no mesmo período de 2025. O saldo positivo de R$ 521,7 milhões representa uma alta de 9,5%. Extremoz liderou o crescimento percentual com 40,97%, enquanto Natal deteve o maior aumento em volume financeiro absoluto, com R$ 257,2 milhões extras.
Embora os números apontem para uma expansão na arrecadação, a análise técnica exige cautela. O crescimento das receitas, por si só, não garante equilíbrio fiscal, pois a sustentabilidade administrativa depende do confronto direto com o aumento das despesas, gastos com pessoal e investimentos programados. O quadro reforça, portanto, a necessidade de transparência e prudência na gestão dos recursos públicos para evitar que a população seja penalizada pela instabilidade financeira local.

Comentários (0)
Deixe seu comentário